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Pré-história

Depois dos habitantes pré-históricos da região hoje denominada Rússia, apareceram no sul da Rússia os Citas de língua iraniana.[1] Habitantes da planície do Leste Europeu

Muitos povos de diversas etnias migraram para a planície central europeia. Porém os eslavos, que chegaram posteriormente, gradualmente se tornaram dominantes.

Muito antes da organização da Rússia de Kiev, povos indo-arianos viveram na área que hoje é a Ucrânia. O mais conhecido destes grupos era o dos nômades cítios, que ocuparam a região do século VI a.C. até o século II d.C. e cuja as habilidade nas guerras e na cavalaria eram notáveis. Entre o século I d.C. e o século IX, godos e nômades hunos, avaros e magiares atravessaram a região em suas migrações. Apesar de muitos deles terem subjugado os eslavos na região, aquelas tribos deixaram pouca coisa de significativo. Mais importante neste período foi a expansão dos eslavos, que foram agricultores, criadores de abelhas, e também caçadores, pescadores e pastores. Por volta do século VI, os eslavos eram o grupo étnico predominante na planície do leste europeu.
Distribuição moderna das etnias eslavas.

Pouco se sabe sobre a origem dos eslavos. Filólogos e arqueólogos crêem que os eslavos se estabeleceram muito cedo nos Cárpatos ou na região da atual Bielorrússia. Por volta do ano 600, eles já haviam se separado linguisticamente em ramos ao sul, a oeste e a leste da região. Os eslavos do leste se estabeleceram ao longo do rio Dniepr no que é hoje a Ucrânia; posteriormente se estenderam para o norte do vale do rio Volga, a leste da atual Moscou (Moscovo), e para oeste, até o norte das bacias dos rios Dnestr e Bug, nas atuais Moldova e sul da Ucrânia. Nos séculos VIII e IX da Era Cristã, muitas tribos eslavas do leste pagavam tributo aos cazares, um povo de língua turca que adotou o judaísmo no final dos séculos VIII ou IX, e que viveram ao sul do rio Volga e no Cáucaso.
Eslavos do leste e varegues (Väringar)
Varegues recebidos por eslavos.

Por volta do século IX, guerreiros e comerciantes da Escandinávia, chamados “varegues” (väringar), (mais habitualmente conhecidos como Vikings), já tinham penetrado nas terras eslavas do leste. Eles ocasionalmente combatiam o povo local, conhecido por eles como rus, e utilizavam os vencidos como escravos, ou slav. Acredita-se que os termos “russo” e “eslavo” tenham sido cunhados ou adaptados pelos escandinavos, dos quais os termos usados atualmente tenham se originado.

Principado de Kiev
Principado de Kiev, também conhecido como Rus de Kiev, Rus Kievana ou Rússia Kievana, foi um Estado eslavo oriental localizado principalmente na planície Russa (na atualidade é território da Bielorússia, o norte, o centro e o oeste da Ucrânia e o Oeste da Rússia) de aproximadamente 880 até meados do século XII. A capital dele foi a cidade de Kiev (agora é capital da Ucrânia moderna). Do ponto de vista historiográfico, a Rus Kievana é considerada o estado predecessor de três nações eslavas orientais modernas: Ucrânia, Rússia e Bielorrússia. Os reinados de Vladimir o Grande (980-1015) e seu filho Yaroslav I o Sábio (1019-1054) constituem o apogeu de Kiev, aonde a fé cristã ortodoxa foi aceita pelos eslavos e foi criado o primeiro código legal eslavo oriental, o Russkaya Pravda.
Primórdios do Principado de Kiev

Segundo a Crônica Nestoriana, a mais antiga crônica da Rus Kievana, um varegue (viking sueco) chamado Rurik primeiro estabeleceu-se em Novgorod, tendo sido selecionado como governante comum por muitas tribos eslavas e finensas) em aproximadamente 860, antes de se mover para sul e estender sua autoridade a Kiev. A crônica o cita como o progenitor da Dinastia Ryurikida.

Estes varegues primeiro se estabeleceram no lago Ladoga, em seguida se movendo ao sul para Novgorod eventualmente alcançando Kiev, e finalmente pondo fim ao pagamento de tributos de Kiev aos cazares. A dita Rús Kievana foi fundada pelo príncipe Oleg (Helgu nos registros cazares) em aproximadamente 880. Durante os 35 anos seguintes, Oleg e seus guerreiros submeteram as várias tribos eslavas orientais e finesas. Em 907, Oleg liderou um ataque contra Constantinopla e em 911 assinou um acordo comercial com o Império Bizantino como um parceiro equivalente. O novo estado Kievano prosperou por que controlava as rotas de comércio do mar Báltico ao mar Negro e ao Oriente e por que tinha um abundante suprimento de peles, cera de abelha e mel para exportar. Tendo em consideração o preconceito pró-escandinavo da antiga crônica eslava, alguns historiadores eslavos têm debatido o papel dos varegues no estabelecimento da Rus Kievana. Durante o reinado de Sviatoslav (945-972), os governantes kievanos adotaram nomes e religião eslavas, porém sua drujina ainda consistia principalmente de escandinavos. As conquistas militares de Sviatoslav são impressionantes, tendo destruído, com seus ataques, o Império Búlgaro e o Império Khazar, reconquistando as terras da Europa Oriental aos nativos eslavônicos perante os invasores norte-asiáticos antigos e seus conversores judeus do norte de Africa por eles assimilados durante a maior conversão religiosa em massa ao judaísmo que se tem notícia desde que pequenos reinos bérberes no início da idade média sob a influência do Império Bizantino e pós-decadência romana decidiram se converter ao judaísmo, após o Oriente Médio ser tomado pelo cristianismo e posteriormente pelo islamismo que avançaria inclusive sobre terras zoroástricas e hindus/budistas.

Bulgária do Volga

Bulgária do Volga ou Bulgária Volgaica ou Volga-Kama Bolghar foi um estado histórico que existiu entre os séculos VII e XIII ao redor da confluência dos rios Volga e Kama no local hoje abrangido pela Rússia. Atualmente, são consideradas descendentes da Bulgária do Volga em termos territoriais e étnicos as Repúblicas do Tartaristão e Chuváchia.
Índice

Origem

Informação de primeira mão sobre a Bulgária Volgaica é muito esparsa. Como não sobreviveram autênticos registros búlgaros, a maioria das informações vêm de fontes contemporâneas árabes, persas, russas e indianas. Algumas informações provieram de escavações.

Pensa-se que o território da Bulgária Volgaica fora originalmente colonizada por povos fino-úgricos. Os búlgaros chegaram na área aproximadamente em 660, comandados por Kotrag Khan, filho de Kubrat. Algumas tribos búlgaras, no entanto, continuaram a avançar na direção oeste e após muitas aventuras se estabeleceram ao longo do rio Danúbio, no que é hoje conhecido como Bulgária, aonde foram assimilados pelos eslavos, adotando um idioma eslavo do sul e a fé cristã ortodoxa oriental.

Alguns estudiosos acreditam que os Búlgaros do Volga foram submetidos ao grande Império Khazar. Em algum período do final do século IX o processo de unificação começou, e a capital foi estabelecida em Bolgar (também pronunciada Bulgar), 160 quilômetros a sul da atual Kazan.

No entanto muitos acadêmicos duvidam se tal estado podia assegurar independência dos Khazares antes de 965, quando estes foram aniquilados por Svyatoslav da Rússia em 965.
O grande minarete em Bolghar

Objetivando promover a unificação entre as tribos guerreiras, e para obter um forte aliado em sua luta contra os Khazares, Almas Khan da Bulgária do Volga escreveu uma carta ao califa de Bagdá pedindo-o homens letrados e religiosos que podiam ler o Alcorão e construir mesquitas. No dia 11 de maio de 922 o khan recebeu o missionário de Bagdá Ahmad ibn Fadlan, e 4 dias depois uma assembléia tribal proclamou o Islamismo como a religião oficial do Estado.
Apogeu
A torre do diabo, em Yelabuga.

Grande parte da população local era composta por povos turcos, dentre eles os suares, barsils, bilares, Baranjares e parte dos burtas (segundo ibn Rustah). Descendem dos búlgaros do Volga os atuais chuvases e tártaros do médio Volga, apesar de evidências linguísticas sugerirem que os chuvases pertenciam a uma etnia turca mais antiga, que pode ser conectada aos hunos. Outra parte compreende tribos finesas e magiares.

O líder da Bulgária do Volga era chamado de iltäbär (algumas vezes elteber). Após a islamização seu título passar a ser sheikh. Elteberes conhecidos incluem: Almış (Almas), Mikail bine Cäğfär (Mikaul ibn Jafar), Mö’mim bine Äxmäd (Mumin ibn Ahmad), Mö’min bine âl-Xäsän (Mumin ibn al-Hasan), Talib bine Äxmäd (Talib ibn Ahmad).

Comandando o rio Volga em seu médio curso, o reino controlou grande parte do comércio entre a Europa e Ásia antes das Cruzadas, que fez com que outras rotas comerciais concorrentes surgissem. A capital, Bulgar, era uma cidade que rivalizava em tamanho e riqueza com os grandes centros do Mundo Islâmico. Parceiros comerciais de Bolghar incluíam vikings, Bjarmland, Yugra e Nenets ao norte de Bagdá e Constantinopla ao sul, e da Europa no ocidente à China a leste.

Outras grandes cidades incluíam Bilär, Suar (Suwar), Qaşan (Kashan) e Cükätaw (Juketaw). As atuais cidades de Kazan e Yelabuga foram fundadas sobre fortalezas das fronteiras búlgaras.

Algumas as cidades da Bulgária do Volga ainda não foram encontradas, porém elas são mencionadas em fontes russas. Elas são Aşlı (Oshel), Tuxçin (Tukhchin), İbrahim (Bryakhimov), Taw İle. Algumas delas foram arruinadas durante e após a invasão mongol.

Os principados russos do oeste eram a única ameaça militar concreta. No século XI, o reino foi devastado por várias incursões russas. Na viragem do século XII para o XIII os governantes de Vladimir (notavelmente André o Piedoso e Vsevolod III), querendo defender suas fronteiras orientais, pilharam sistematicamente cidades búlgaras. Sob pressão eslava vinda do ocidente, os búlgaros tiveram de mudar sua capital de Bolgar para Bilär.
Declínio

Artigo principal: Invasão Mongol da Bulgária do Volga

Em 1223, um destacamento avançado do exército de Genghis Khan, após passar pelo Cáucaso e sul da Rússia, aonde derrotou vários exércitos locais, avançou para o território da Bulgária do Volga, porém tal ataque foi repelido. 13 anos depois os mongóis, sob a liderança de Batu Khan e o general Subedei, voltaram e anexaram a região do rio Volga a seus domínios, pondo fim ao estado búlgaro volgaico. Como resultado a área da Bulgária do Volga tornou-se parte integrante da Horda de Ouro. Foi dividida em vários principados, alguns deles recebendo certa autonomia.

A Invasão Mongol da Bulgária do Volga durou entre 1223 a 1236.

Primeira tentativa

Em 1223, após vencer os exércitos russos e cumanos na Batalha do rio Kalka, um exército mongol sob a liderança dos generais Subedei e Jebe Noyon foi enviado para subjulgar a Bulgária do Volga. No entanto a cavalaria mongol foi pega em uma emboscada e vencida próxima as colinas de Zhiguli na margem direita do Volga, e o restante do exército se retirou.
Segundo ataque

Em 1229 os mongóis retornaram sob o comando dos generais Kukday e Bubede. Esta força venceu os guardas de fronteira búlgaros no rio Ural e começou com a ocupação do vale do alto Ural. Em 1232 a cavalaria mongol subjulgou a parte sudeste da Bashkíria e ocupou algumas áreas do sul do território búlgaro do Volga.

Se seguindo a falha dos vários lordes búlgaros em se unirem em uma defesa comum, os mongóis voltaram em 1236. As forças mongóis lideradas por Batu Khan sitiaram e capturaram Bolghar, Bilär, Suar, Cükätaw e outras cidades e castelos da Bulgária do Volga. Os habitantes foram mortos ou vendidos como escravos. Desde então a Bulgária do Volga se tornou parte do Ulus de Jochi, depois conhecido como a Horda de Ouro. Foi dividida em direrentes “ducados”; depois cada um desses se tornou vassalo da Horda de Ouro e recebeu alguma autonomia.

Khazária

A Khazária foi um extinto estado não-eslavo que existiu nas estepes entre o Mar Cáspio e o Mar Negro e parcialmente ao longo do Rio Volga. É hoje considerado um símbolo tradicional da Rússia, assim como a árvore conhecida em português por bétula ou vidoeiro.

Ataque de 1223 e a Batalha do rio Kalka

Ao mesmo tempo que se fragmentava, a Rússia Kievana sentiu a inexplicável irrupção de uma onda estrangeira irresistível vinda de regiões misteriosas do Extremo Oriente. Para suas sins, diziam os cronistas russos da época, nações desconhecidas chegaram. Nenhum conhecia suas origens ou de onde eles vinham, ou qual religião eles praticavam.

Após as campanhas contra o Império de Khwarezm, em 1221 uma tropa mongol liderada pelos generais Jebe Noyon e Subedei, em uma campanha de reconhecimento para futuras conquistas, passaram pelo norte do Irã e atravessaram os montes Cáucaso, derrotando exércitos georgianos, polovtsianos, khazares e cumanos. No final de 1222 os dois partiram juntos até o oeste, através das estepes, até o Dniester.

Os principados eslavos do Leste associaram os novos invasores com os nômades selvagens Polovtsianos, que de vez em quando pilhavam colonos russos nas fronteiras porém agora preferiam amizade, sendo seu líder, Khotian, genro de Mstislav Mstislavich, o Audaz. Propondo uma aliança com Mstislav contra os mongóis, dizendo: “Estes terríveis desconhecidos nos conquistaram, amanhã eles irão conquistá-los se vocês não virem nos ajudar”.Em resposta a esse chamado Mstislav o Audaz e Mstislav Romanovich o Velho formaram uma liga, da qual também aderiram príncipes de outras províncias russas tais como Kursk,Kiev, Chernigov, Volínia, Rostov e Suzdal.

No dia 31 de maio de 1223, os mongóis, com um exército de 25 mil homens, derrotaram os exércitos dos vários principados russos na grande batalha do rio Kalka (1223), a qual permaneceu até os dias de hoje na memória do povo russo. Agora o país encontrava-se a mercê dos invasores, porém, eles se retiraram e voltariam apenas 13 anos depois.
Invasão de Batu Khan (1236-1240)

A vasta horda mongol de aproximadamente 150 mil arqueiros montados, comandada por Batu Khan e Subedei, cruzou o Rio Volga e invadiu Volga Bulgaria no outono de 1236. Levou um ano para acabar com a resistência dos Búlgaros do Volga, Kypchaks e Alanos.

Em novembro de 1237, Batu Khan enviou seus embaixadores para a corte de Yuri II de Vladimir exigindo sua submissão. No mês seguinte Ryazan foi cercada. Após seis dias de batalha sangrenta, a capital foi totalmente aniquilada, para nunca mais ser restaurada. Alarmado pelas notícias, Yuri II enviou seus filhos para deter os invasores, porém eles logo foram derrotados.

Kolomna e Moscou foram incendiadas e no dia 4 de fevereiro de 1238 Vladimir foi cercada. Três dias depois a capital de Vladimir-Suzdal foi tomada e queimada. A família real pereceu no incêndio, enquanto que o grão-príncipe se retirou para o norte. Cruzando o Volga, ele reuniu um novo exército, que foi totalmente exterminado na batalha do rio Sit em 4 de março.

Em seguida Batu Khan dividiu seu exército em unidades menores, as quais arrasaram quatorze cidades russas: Rostov, Uglich, Yaroslavl, Kostroma, Kashin, Ksnyatin, Gorodets, Galich, Pereslavl-Zalessky, Yuriev-Polsky, Dmitrov, Volokolamsk, Tver e Torzhok. A mais difícil de ser capturada foi a pequena cidade de Kozelsk, cujo príncipe-menino Titus e seus habitantes resistiram aos ataques mongóis por sete semanas. Como a história diz, sabendo das notícias da aproximação mongol, toda a cidade de Kitezh com todos os seus habitantes submergiu em um lago, que pode ser visto nos dias de hoje. As únicas grandes cidades a escaparem da destruição foram Novgorod e Pskov. Os russos que migraram da região sul do país para escapar dos invasores se deslocaram em sua maioria para o nordeste, nas regiões de floresta com solos pobres entre a área norte dos rios Volga e Oka.

No verão de 1238, Batu Khan e Subedei devastaram a península da Crimeia e pacificaram Mordóvia. No verão de 1239 Chernigov e Pereyaslav foram saqueadas. Após muitos dias de cerco, a horda atacou Kiev em dezembro de 1239. Apesar da forte resistência de Danilo da Galícia, Batu Khan tomou duas de suas principais cidades, Halych e Volodymyr-Volynskyi. Após anexarem a Rússia a seus domínios, os mongóis então resolveram “alcançar o último mar” e invadiram em 1241 Polônia, Romênia e Hungria. Depois disso Subedei estava discutindo planos de atacar o norte da Itália, Áustria e os estados germânicos, porém tiveram de recuar devido a morte de Ogodei.
O período do jugo tártaro-mongol
Ver artigo principal: Incursões punitivas mongóis contra os principados russos

Neste período os invasores vieram para ficar, e construíram para si mesmos uma capital chamada Sarai, no baixo Volga, próximo ao Mar Cáspio. Aí estava o comandante supremo da Horda de Ouro, como era chamada a porção noroeste do Império Mongol, fixando seus quartel-general dourado e representando a majestade de seu soberano, o grande khan que viveu com a Grande Horda no vale do Orkhon do Amur. De lá subjugaram a Rússia nos próximos 3 séculos.

O termo pelo qual esta sujeição é habitualmente chamado, o jugo tártaro ou mongol, sugere ideias de uma terrível opressão, porém na realidade estes nômades invasores vindos da Mongólia não eram como geralmente se supõe tão cruéis e opressivos. Em primeiro lugar, eles nunca colonizaram os principados russos, e não tinham muito contato com os habitantes. Diferente da dominação mongol sobre a China e o Irã, o domínio mongol sobre os principados russos era indireto, aonde os príncipes russos pagavam anuais tributos à Sarai.

Em termos de religião eles eram extremamente tolerantes. Quando apareceram pela primeira vez na Europa, eles eram xamânicos, e naturalmente não tinham fanatismo religioso; Mesmo quando adotaram o Islamismo continuaram tolerantes como antes, e o khan da Horda de Ouro, Berke, o primeiro a se tornar muçulmano, incentivou os russos a fundar um bispado cristão em sua própria capital. Nogai Khan, meio século depois, se casou com a filha do imperador bizantino, e deu seu própria filha em casamento a um príncipe russo, Teodoro o Negro. Alguns historiadores russos modernos acreditam que não houve uma invasão geral. De acordo com eles, os príncipes russos fizeram uma aliança defensiva com a Horda objetivando repelir os ataques dos fanáticos Cavaleiros Teutônicos, que se mostraram um perigo muito maior à religião e cultura russa.

Isto representa o lado positivo do domínio tártaro, que também têm o lado negativo. Como a grande horda de nômades estava acampada na fronteira o país encontrava-se a mercê de invasões por uma força esmagadora de cruéis saqueadores. Tais invasões não eram frequentes, porém quando ocorriam causavam uma incalculável quantidade de devastações e sofrimentos. Nestes intervalos as pessoas tinham de pagar um tributo estabelecido. De início era colecionado em um visual tosco e pronto por um exame de coletores de taxas tártaros, porém a partir de 1259 passou a ser regulado por um censo de população, e finalmente, a coleção dos tributos passou a ser encarregada pelo príncipe local, então o povo passou a não ter mais um contato direto com oficiais tártaros.
Influência

A influência da invasão mongol nos territórios da Rússia Kievana foi sem precedentes. Centros tradicionais como Kiev nunca se recuperaram da destruição do ataque inicial. A República de Novgorod continuou a prosperar. Novos centros prosperaram sob o jugo mongol, tais como Moscou e Tver.

Os historiadores debateram a influência a longo prazo do domínio mongol na sociedade russa.

Os mongóis foram culpados pela destruição da Rússia Kievana, a fragmentação da antiga nacionalidade russa em três componentes e a introdução do conceito de “despotismo oriental” na Rússia. Porém alguns historiadores concordam que a Rússia Kievana não era uma entidade homogênea, seja no nível político, étnico ou cultural, e que os mongóis apenas aceleraram o processo de fragmentação que começou antes da invasão. Outros acham que o jugo mongol teve um papel importante no desenvolvimento da Rússia como um Estado. Sob domínio mongol a Moscóvia, por exemplo, desenvolveu a sua rede postal, censo, sistema fiscal e organização militar.

Certamente, pode ser argumentado (e é) que Moscou, e subsequentemente a Rússia, não teriam se desenvolvido sem a destruição mongol da Rússia Kievana. Ademais, o jugo mongol sobre os restos de Kiev e os principados sobreviventes como o de Novgorod, forçaram tais entidades a olhar para o Ocidente em busca de aliados e tecnologia. Igualmente, rotas comerciais vindas do Leste como desdobramentos das “Rotas da Seda” chegaram aos povos russos, fazendo assim um centro de comércio de ambos os mundos. Em suma, a influência mongol, de um lado destrutiva ao extremo para seus inimigos, teve um papel significativo a longo prazo no surgimento da Rússia moderna.

Império Russo
Território

A capital do império era São Petersburgo, que em 1914 foi rebatizada de Petrogrado (traduzindo: Cidade de Pedro, remontando aos imperadores russos de nome Pedro). Ao final do século XIX o tamanho do império era de cerca de 22.400.000 quilômetros quadrados, abrangendo vastas áreas da Europa oriental e do norte e centro da Ásia. Seus limites eram o oceano Ártico ao norte, o Cáucaso e as fronteiras com a Pérsia e Afeganistão ao sul, o Oceano Pacífico e as fronteiras com a China, Coreia e Japão a leste e a oeste os montes Cárpatos, onde fazia fronteira com a Alemanha e a Áustria-Hungria. O Império Russo ainda chegou a contar com um território na América, o Alasca, que foi em 1867 vendido aos Estados Unidos.

Em seu apogeu, o Império Russo incluía, além do território russo atual, os estados bálticos (Lituânia, Letônia e Estônia), a Finlândia, Cáucaso, Ucrânia, Bielorrússia, boa parte da Polônia (antigo Reino da Polônia), Moldávia (Bessarábia) e quase toda a Ásia Central. Também contava com zonas de influência no Irã, Mongólia e norte da China.

Em 1914 ,o Império Russo estava dividido em 81 províncias (guberniias) e vinte regiões (oblasts). Vassalos e protetorados do império incluíam os canatos de Khiva e Bukhara e, depois de 1914, Tuva.
População

De acordo com o censo de 1897 sua população era próxima dos 128.200.000 de habitantes, sendo que a maioria deles (93,4 milhões) vivia na Rússia Européia. Como não poderia deixar de ser, havia grande diversidade étnica no Império Russo. Mais de 100 diferentes grupos étnicos viviam ao longo do território russo, sendo que a etnia russa compreendia cerca de 45% da população.
Organização política

O Império Russo era uma monarquia hereditária liderada por um imperador autocrático (tzar) da dinastia Romanov. A religião oficial do Estado era o cristianismo ortodoxo, representado pela Igreja Ortodoxa Russa. Os sujeitos do império foram separados em estratos (classes) conhecidas como “dvoryanstvo” (nobreza), clero, comerciantes, cossacos e camponeses. Ainda os nativos da Sibéria e Ásia Central foram oficialmente registrados em uma classe chamada “inorodsty” (estrangeiros).
Geografia

A Rússia Imperial, tendo sido o terceiro maior império do mundo em território (depois do britânico e do mongol) continha muitos estados e territórios. Na sua maior expansão se estendia pela maior parte do norte da Eurásia. Continha quase todos os tipos de ecossistemas e uma grande variedade de paisagens e climas. A maior parte da paisagem era uma vasta planície, tanto na parte europeia quanto no lado asiático que são amplamente conhecidos como Sibéria e Turquestão. Estes são predominantemente planícies estepe no sul e densa floresta ao norte, a tundra, ao longo da costa norte. Há cadeias de montanhas ao longo da fronteira sul, tais como o Cáucaso, o Tian Shan (o ponto mais alto de todo o império com um tamanho médio de 7100 metros) nos montes Altai, e na parte oriental, como a cordilheira Verjoyansk ou vulcões na península de Kamchatka, Alaska e cadeias de montanhas com os grandes gigantes monte McKinley. Notáveis são os Urais na parte central que é a principal divisão entre a Europa e a Ásia.

Os imperadores da Rússia

Pedro I

Pedro I foi o primeiro imperador da Rússia e liderou o processo de modernização e ocidentalização do país.

Breve cronologia militar

1695 – falha a tentativa conquista de Azov aos Turcos
1696 – conquista Azov com forças terresboitres e marítimas, o que demonstrou a importância da armada
1697 – grande embaixada, em busca de apoio político contra os turcos e conhecimentos militares
1698 – criação da primeira base naval russa em Taganrog
1700 – derrota na batalha de Narva, na Estónia contra Carlos XII da Suécia
1708 – Carlos XII da Suécia invade a Rússia e derrota novamente Pedro na batalha de Lesnaya
1709 – Carlos avança para a Ucrânia, onde se dá a Batalha de Poltava, terminando com a derrota definitiva de Carlos
1718 – Carlos morre em batalha em Halden, Noruega
1721 – Tratado de Nystad termina a Grande Guerra do Norte com a Suécia, apoderando-se de territórios que deram à Rússia o acesso ao mar Báltico

Catarina I (1725-1727)

Foi esposa de Pedro I, o grande. Permaneceu no poder de 1725 até 1727 quando morreu.

Em 1711, acompanhou o czar na campanha de Prut, contra o Império Otomano, e conta-se que salvou a vida de Pedro quando estava rodeado por um exército muito superior, sugerindo-lhe que se rendesse e utilizando as suas joias e as das suas damas para subornar o grão-vizir.

Pedro I premiou-a casando-se com ela, desta vez oficialmente, na Catedral de Santo Isaac, apesar de ele estar casado com Eudóxia Lopukhina, a quem havia encerrado num convento e com quem tinha um filho, Alexis Petrovich, que executou (diz-se que com as próprias mãos).
São Petersburgo, 1719-1723, por Johann Homann, na biblioteca da Universidade de Wisconsin-Milwaukee

Pedro I deu a Catarina o título de imperatriz, sendo a primeira mulher a ter este título: até então as esposas do czares era conhecidas como suas consortes. Em 1724, foi nomeada co-regente.

Durante o reinado de Pedro I foi efetuada uma profunda reforma do exército, que permitiu a pessoas sem título nobiliárquico a possibilidade de aceder ao corpo de oficiais, acabando assim com o monopólio da nobreza nesses cargos, e nomeando-os também para cargos públicos, baseando-se na competência. Assim, ao morrer o rei em 1725 designado-a sucessora, teve que fazer frente à oposição do clero e dos boiardos, que estavam contra as reformas realizadas, e à do povo que apoiava os direitos do príncipe Pedro, filho do já falecido Alexei Petrovich. A nobreza nova do círculo de Pedro I, com Menshikov à cabeça, e os seus colaboradores burgueses apoiaram-na, e a guarda proclamou-a imperatriz.

Foi o início de uma época da História da Rússia caracterizada por contínuos golpes de Estado e pelo governo de favoritos.

Pedro II (1727-1730)
Pedro II, 1730
Ver artigo principal: Pedro II

Pedro II foi o sucessor de Catarina I.

Durante o reinado de Catarina I, Pedro era muito ignorado, mas logo após a morte de Catarina, ficou claro para muitos que Pedro deveria subir ao trono o mais rápido possível . A maior parte da nação e três quartos da nobreza estavam do seu lado.
Pedro II, 1730, Galeria Tretyakov, Moscou

Outra pessoa também ambicionava o trono, o seu tio, imperador Carlos VI. Após um acordo entre Alexandre Danilovich Menshikov e o conde Andrei Osterman, em 18 de maio de 1727, Pedro II, de acordo com o desejo de Catarina I, foi proclamado soberano autocrata.

Com a morte de Pedro II, findaram-se os homens da dinastia Romanov. Com isso foi sucedido por Ana, filha de Pedro, o grande e meia irmã de Ivan V.
Ana (1730-1740)
Tzarina Ana Ionnonovna, 1730, por Louis Caravaque, na Galeria Tretyakov
Ver artigo principal: Ana da Rússia

Ana foi a sucessora de Pedro II.

Com a morte de Pedro II da Rússia, o Conselho Privado Russo sob o comando do príncipe Dmitri Mikhailovitch Golitzin sagrou Anna imperatriz em 1730. O conselho acreditava que Anna seria grata aos nobres por terem feito a sua fortuna, acatando todas as decisões importantes e servindo como fantoche no trono. Tentando estabelecer uma monarquia constitucional na Rússia, os nobres convenceram-na a assinar vários papéis limitando os poderes do tzar.

Mesmo assim, essas limitações mostraram-se muito pouco eficazes quando Ana estabeleceu-se como uma tzarina autoritária, usando sua popularidade com os guardas imperiais e com a nobreza de segundo escalão.
Ivan VI (1740-1741)
Ver artigo principal: Ivan VI da Rússia

Ivan VI sucedeu Ana no período de 1740-1741. Devido a sua pouca idade na época, Ernst Johann von Biron, duque da Curlândia, tornou-se regente. Com a queda de Biron (8 Novembro), a regência passou para a sua mãe, embora tenha sido o vice-chanceler Andrei Osterman que conduzia o governo.
Elizabeth I (1741-1761)
Ver artigo principal: Elizabeth I

Elizabeth I sucedeu Ivan VI no período de 1740 até 1761. Subiu ao trono depois de uma revolta militar que derrubou Ivan VI.

Dentre os principais pontos de seu governo, podemos citar:

Abolição da pena de morte
Estabelecimento do senado
Ampliação do comércio interior

Pedro III (1761-1762)
Ver artigo principal: Pedro III

Pedro III foi o sucessor de Elizabeth I, de 1761 a 1762. Era neto de Pedro I, o grande. Foi obrigado a abdicar seis meses após subir ao trono devido a uma conspiração tramada pelo amante de sua esposa, Catarina II.
Catarina II (1762-1796)
Ver artigo principal: Catarina II

Catarina II foi a sucessora de Pedro III. Foi imperatriz da Rússia de 1762 a 1796.

Durante seu governo realizou uma ampla reforma na sociedade russa, modernizando-a. É considerada um exemplo de monarca do despotismo esclarecido. Graças a esta modernização a Rússia logrou obter grande desenvolvimento e a imperatriz, ainda que sendo da origem estrangeira, tornou-se muito popular.
Paulo I (1796-1801)
Paulo I, por Vladimir Borovikovsky
Ver artigo principal: Paulo I da Rússia

Paulo I sucedeu Catarina II (1762-1796) sua mãe. Seus atos enquanto governante eram conhecidos como obstinados e despóticos.

Sua condução independente dos assuntos externos da Rússia mergulhou o país primeiramente na segunda coalizão contra a França revolucionária quando em 1799 se alia com a Inglaterra e com a Áustria. Em 1801, a neutralidade armada contra a Inglaterra.

Durante o período em que esteve no poder, grande foi a insatisfação, incluindo os militares que estavam muito próximos dele no contato diário e na tomada de decisões. Por fim acabou morto numa conspiração planejada contra ele sob a liderança do general Bennigsen.

“Ele deriva acima de tudo o mais de seu desejo de desfazer o trabalho de Catarina, e de afirmar sua vontade mudando tudo, reformando tudo que ela estabelecera durante seu governo.”

Nos últimos anos de sua administração foi acunhado de “O imperador demente”.3

Dentre as suas principais medidas podemos destacar o direito a progenitura e a exclusão do direito de sucessão ao trono por parte de mulheres. Caracteriza-se pois, como extremamente despótico e machista.
Alexandre I (1801-1825)
Tsar Alexandre I.
Ver artigo principal: Alexandre I da Rússia

Com o sucessor de Paulo I, Alexandre I, a Rússia ocupou na Europa uma tal posição que o tzar atingira a função de chefe das guerras contra a Revolução Francesa e contra Napoleão Bonaparte. Todavia, dificilmente se poderá dizer que a luta exercida contra a hegemonia francesa fez efetivamente de Alexandre o primeiro dirigente da Europa.

Em aliança com a Áustria e a Prússia, declarou guerra a Napoleão. Napoleão por sua vez derrotou os russos e os austríacos, em Austerlitz, em 1805. Os conflitos porém duraram até 1807, quando os russos foram destroçados em Friedland. No mesmo ano pela paz de Tilsit, Alexandre abandonou a Prússia.

De 1808 a 1812 a França e o Império Russo permaneceram em paz. Em junho de 1812, os conflitos tiveram um novo início, e em 14 de setembro de 1812, o exército de Napoleão Bonaparte invadiu o Império Russo e chegou ao Kremlin.
Nicolau I (1825-1855)
Ver artigo principal: Nicolau I

Nicolau I foi o sucessor de Alexandre I, no período de 1825 a 1855.

Durante seu governo tentou eliminar os movimentos nacionalistas, perpetuar os privilégios da aristocracia e impedir o avanço do liberalismo. Também reprimiu a insurreição decembrista em 1825 e apoiou a Áustria no controle da revolta húngara de 1848, o que lhe valeu o epíteto de “o guarda da Europa”.
Alexandre II (1855-1881)
Ver artigo principal: Alexandre II

Alexandre II foi o sucessor de Nicolau I, no período de 1855 a 1881

É conhecido por suas reformas liberais e modernizantes, através das quais procurou renovar a cristalizada sociedade russa.

Podemos destacar também a decisão de em 19 de Fevereiro de 1861, de decretar o fim da servidão na Rússia. Foram libertados, ao todo, 22,5 milhões de camponeses servos – preservando-se, todavia, a propriedade dos latifúndios.
Alexandre III (1881-1894)
Ver artigo principal: Alexandre III

Alexandre III foi o sucessor de Alexandre II no período de 1881 a 1894.

Após o assassinato de Alexandre II da Rússia, que tinha introduzido reformas sociais e tinha tentado aproximar a Rússia das nações ocidentais, com parlamentos e constituições, Alexandre III e seu filho Nicolau II levaram o Império Russo num sentido diferente, mais autocrático, como que tentando regressar ao despotismo, desprezando o aparelho burocrático que em sua opinião os separava do povo.
Nicolau II
Ver artigo principal: Nicolau II

Nicolau II foi o sucessor de Alexandre III no período de 1894 a 1917. Foi praticamente o último tzar da Rússia, não sendo último de fato devido ao curto período em que seu irmão Miguel II ocupou esta posição antes de ser finalmente derrubado pela Revolução de Fevereiro de 1917.

Com a abdicação de Nicolau II, o trono passaria ao grão-duque Miguel Alexandrovich Romanov (que seria Miguel II), porém o grão-duque renunciou e convocou uma assembleia constituinte.
Queda do império
Ver artigo principal: Revolução Russa de 1917
Nicolau II, logo após sua abdicação

Devido ao autoritarismo do sistema tzarista, a insatisfação popular tanto de burgueses (com a falta de autonomia política), quanto do restante da população (por estar em um estado de grande pobreza) foi criado no império o primeiro partido político baseado em ideais marxistas, em 1898: O Partido Social-Democrata Russo (POSDR). Já antes de 1905, o Império Russo passava por uma grave crise política. Desde a emancipação dos servos (1861), o país vivia uma rápida transição do feudalismo para o capitalismo. Os servos haviam sido libertados, mas permaneciam na mesma situação de miséria. A construção da Ferrovia Transiberiana e as mudanças econômicas atraíram o capital estrangeiro e estimularam uma rápida industrialização em Moscou, São Petersburgo, Baku, bem como na Ucrânia, suscitando a formação de um operariado urbano e o crescimento da classe média. Essas classes eram favoráveis a reformas democráticas no sistema político. Entretanto, a nobreza feudal e o próprio tzar procuraram manter o absolutismo russo e sua autocracia intactos a qualquer custo.

O desempenho desastroso das forças armadas russas na Guerra Russo-Japonesa (1904 – 1905) intensificou essas contradições, sendo essa derrota considerada como causa imediata da Revolução de 1905.4

Em 1905, houve o chamado “ensaio-geral” da revolução, onde um milhão e meio de pessoas, liderados pelo padre ortodoxo e membro da Okhrana, Gregori Gapone, marcharam em direção ao Palácio de Inverno de Nicolau II, reivindicando reforma agrária, tolerância religiosa, fim da censura , a presença de representantes do povo no governo e melhores condições de vida.5 O tzar, em resposta, ordenou a morte de todos os participantes com os tiros de soldados. Esse episódio ficou conhecido como o Domingo Sangrento. Em resposta a esta ação repressiva contra operários desarmados, em toda a Rússia rebentaram greves políticas de massas e manifestações sob a palavra de ordem de “Abaixo a autocracia!”. Os acontecimentos de 9 de janeiro deram início à revolução de 1905-1907.6

Com a entrada na Primeira Guerra Mundial o império passou a sofrer de forma intensa os problemas econômicos e sociais, havendo um aumento das manifestações contra o governo, que continuava à reprimir seus opositores. Integrantes do POSDR, ao participarem das manifestações, convenciam soldados e camponeses dos ideais revolucionários. Até que no dia 27 de fevereiro de 1917, soldados, operários e camponeses tomam as ruas e invadem o palácio do tzar Nicolau II. Inicia-se aí um processo revolucionário que levou à Revolução de Outubro de 1917, o primeiro regime socialista da História.
Religião

A religião do Estado imperial russo era o Cristianismo Ortodoxo. Porém assim como em todas as sociedades havia significativas parcelas da população que não seguiam a religião oficial, sendo desse modo adeptas de outras doutrinas. De modo geral todas as religiões podiam ser exercidas livremente, com exceção dos judeus que sofreram algumas restrições. Veja abaixo a tabela com o número de fiéis em cada religião:
Religião Quantidade de fiéis7
Cristianismo Ortodoxonota 1 87 123 604
Islã 13 906 972
Católicos romanos 11 467 994
Judeus 5 215 805
Luteranosnota 2 3 572 653
Crentes antigos 2 204 596
Apostólicos Armênios 1 179 241
Budistas e lamaísmo 433 863
Outras religiões não cristãs 285 321
Reformados 85 400
Menonitas 66 564
Católicos Armênios 38 840
Batistas 38 139
Caraísmo 12 894
Anglicanos 4 183
Outras religiões cristãs 3 952

Os clérigos paroquiais podiam se casar, porém, se eles morressem suas esposas não eram autorizadas a casar novamente.
Literatura
Era de Pedro

A “ocidentalização” da Rússia, comumente associada a Pedro I da Rússia, e Catarina II da Rússia, coincide com uma reforma do alfabeto russo e o incremento da tolerância da ideia de usar linguagem popular para propósitos literários. Autores como Antioj Kantemir, Vasili Trediakovski, e Mijail Lomonosov, no século XVIII, prepararam o terreno para poetas como Derzhavin, autores como Sumarókov e Fonvizin, e escritores de prosa como Karamzín e Radíshchev.
Era de Ouro

O século XIX é tradicionalmente referido como a “Idade de Ouro” da literatura russa. O Romantismo permitiu o florescimento especialmente de um talento poético: Os nomes de Vasily Zhukovsky e Aleksandr Pushkin, seguidos de Mijaíl Lérmontov e Fiódor Tiútchev.

O século XIX incluiu Iván Krylov o fabulista; escritores como Visarión Belinski e Aleksandr Gertsen; autores como Aleksandr Griboyédov e Aleksandr Ostrovski; poetas como Yevgeni Baratynski, Konstantín Bátiushkov, Nikolai Nekrásov, Alekséi Konstantínovich Tolstói, Fiódor Tiutchev, e Afanasi Fet; Kozmá Prutkov o satirista; e um grupo de reconhecidos novelistas como Nikolái Gógol, Lev Tolstói, Fiódor Dostoiévski, Nikolai Leskov, Iván Turgénev, Mijaíl Saltykov-Shchedrín e Ivan Goncharov.
Idade de prata

Outros gêneros entraram em discussão com o início do século XX. Antón Chéjov foi excelente em escrever curtas histórias de drama, e Anna Ajmátova representou líricas inovadoras.

O principio do século XX marca o princípio da era de prata da poesia russa. Escritores bem conhecidos deste período incluem: Anna Ajmátova, Inokenti Anenski, Andréi Beli, Valeri Briúsov, Marina Tsvetáyeva, Sergéi Yesenin, Nikolái Gumiliov, Danil Jarms, Velimir Jlébnikov, Ósip Mandelshtam, Vladímir Mayakovski, Fiódor Sologub e Maksimilián Voloshin.
Gastronomia

A cozinha do Império Russo é derivada de um rico e variado caráter, fruto da grande extensão multicultural do império. As suas origens foram estabelecidas pelo hábito alimentar camponês, muitas vezes áspero, com uma combinação em abundância de peixes, aves, caça, cogumelos, trigo, cevada, milho e uma infinidade de ingredientes. Destaque em especial para a cerveja e a vodca. A gastronomia russa também recebeu significativa influência das regiões do Cáucaso, da Pérsia e do Império Otomano devido a proximidade com essas regiões.

Pelo menos para as zonas urbanas e aristocráticas provinciais, foram abertas as portas para a integração de novos hábitos criadores a partir da expansão do império que se deu entre os séculos XVI e XVIII, havendo assim uma junção de novas técnicas com os tradicionais pratos russos. O resultado foi extremamente variado, abrindo assim novas perspectivas para a culinária secular.
Na Primeira Guerra Mundial
Extensão do Império Russo em 1914.

Na Primeira Guerra Mundial, o Império Russo uniu-se à Tríplice Entente, junto com França e Reino Unido, contra a Tríplice Aliança, formada pelo Império Alemão, Império Austro-Húngaro e Reino de Itália. A Rússia tinha interesse em obter um acesso ao mar Mediterrâneo e para isso pretendia anexar, sob a justificativa de proteger povos eslavos irmãos, a península balcânica e os estreitos de Bósforo e Dardanelos, então sob domínio do Império Otomano.

O prolongamento da guerra causou sérios problemas para o país: a perda de imensos territórios, a morte de metade dos efetivos militares e a paralisação da indústria. Diante da impossibilidade de adquirir produtos industrializados, os camponeses diminuíram a produção agrícola. Os gêneros alimentícios subiram de preço e as greves aumentaram. O sistema econômico emperrou em todos os setores.

A divisão existente entre os social-democratas (socialistas), desde 1903, acentuou-se com a guerra. Alguns mencheviques (como Plekhanov, fundador do partido) apoiavam a guerra, juntamente com políticos aparentemente progressistas como Kerensky, membro do partido trabalhista. Os mencheviques de esquerda, os bolcheviques e os anarquistas eram radicalmente contrários à guerra, que só favorecia os grandes capitalistas dos países imperialistas. Lenin, Stalin, Martov e outros lideraram essa posição.

A participação desastrosa na 1º guerra mundial foi suspensa em 1917 com a assinatura do Tratado de Brest-Litovsk.

Revolução Russa de 1917
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A Revolução Russa de 1917 foi um período de conflitos, iniciados em 1917, que derrubou a autocracia russa e levou ao poder o Partido Bolchevique, de Vladimir Lênin. Recém-industrializada e sofrendo com a Primeira Guerra Mundial, a Rússia tinha uma grande massa de operários e camponeses trabalhando muito e ganhando pouco. Além disso, o governo absolutista do czar Nicolau II desagradava o povo, que queria uma liderança menos opressiva e mais democrática. A soma dos fatores levou a manifestações populares que fizeram o monarca renunciar e, no fim do processo, deram origem à União Soviética, o primeiro país socialista do mundo, que durou até 1991.

A Revolução compreendeu duas fases distintas:

A Revolução de Fevereiro (março de 1917, pelo calendário ocidental), que derrubou a autocracia do Czar Nicolau II , o último Czar a governar, e procurou estabelecer em seu lugar uma república de cunho liberal.
A Revolução de Outubro (novembro de 1917, pelo calendário ocidental), na qual o Partido Bolchevique, derrubou o governo provisório e impôs o governo socialista soviético.

Índice

1 Antecedentes
1.1 A decadência da monarquia czarista
1.1.1 Alexandre II (1858 – 1881)
1.1.2 Alexandre III (1881 – 1894)
1.1.3 Nicolau II (1894 – 1918)
2 O Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR)
2.1 A divisão do Partido: Mencheviques e Bolcheviques
3 A Revolta de 1905: o ensaio para a revolução
4 Revolução de 1917
4.1 A queda do Czar e o processo revolucionário
4.2 Revolução de Fevereiro ou Revolução Branca
4.3 Revolução de Outubro ou Revolução Vermelha
4.4 Guerra civil
5 Criação da União Soviética
5.1 O Governo Operário na União Soviética
5.2 A ascensão de Stálin
5.2.1 O governo de Stálin
6 Relações diplomáticas com Portugal
7 Referências
8 Bibliografia
8.1 Leitura adicional
9 Ver também
10 Ligações externas

Antecedentes
“Não queremos lutar, mas defenderemos os sovietes!”

Até 1917, o Império Russo foi uma monarquia absolutista.1 A monarquia era sustentada principalmente pela nobreza rural, dona da maioria das terras cultiváveis. Das famílias dessa nobreza saíam os oficiais do exército e os principais dirigentes da Igreja Ortodoxa Russa.

Pouco antes da Primeira Guerra Mundial, a Rússia tinha a maior população da Europa, com cerca de 171 milhões de habitantes em 1904. Defrontava-se também com o maior problema social do continente: a extrema pobreza da população em geral2 . Enquanto isso, as ideologias liberais e socialistas penetravam no país, desenvolvendo uma consciência de revolta contra os nobres. Entre 1860 e 1914, o número anual de estudantes universitários cresceu de 5000 para 69000, e o número de jornais diários cresceu de 13 para 856.

A população do Império Russo era formada por povos de diversas etnias, línguas e tradições culturais. Cerca de 80% desta população era rural e 90% não sabiam ler e escrever, sendo duramente explorada pelos senhores feudais. Com a industrialização foi-se estabelecendo progressivamente uma classe operária, igualmente explorada, mas com maior capacidade reivindicativa e aspirações de ascensão social. A situação de extrema pobreza e exploração em que vivia a população tornou-se assim um campo fértil para o florescimento de ideias socialistas.
A decadência da monarquia czarista

Para entender as causas da Revolução Russa, é fundamental conhecer o desenvolvimento básico das estruturas socioeconômicas na Rússia, durante o governo dos três últimos czares.
Alexandre II (1858 – 1881)
Alexandre II.
Ver artigo principal: Alexandre II da Rússia

Alexandre II tinha consciência da necessidade de se promover reformas modernizadoras no país, para aliviar as tensões sociais internas e transformar a Rússia num Estado mais respeitado internacionalmente. Com sua política reformista, Alexandre II promoveu, por exemplo:

a abolição da servidão agrária3 , beneficiando cerca de 40 milhões de camponeses que ainda permaneciam submetidos ao mais cruel sistema de exploração de seu trabalho;
o incentivo ao ensino elementar e a concessão de autonomia acadêmica às universidades;
a concessão de maior autonomia administrativa aos diferentes governos das províncias.

Mesmo sem provocar alterações significativas na estrutura social existente na Rússia, a política reformista do czar encontrou forte oposição das classes conservadoras da aristocracia, extremamente sensíveis a quaisquer perdas de privilégios sociais em favor de concessões ao povo.

Apesar das medidas reformistas, o clima de tensão social continuava aumentando entre os setores populares. A terra distribuída aos camponeses era insuficiente, estando fortemente concentrada nas mãos de uma aristocracia latifundiária. A esta faltavam no entanto recursos técnicos e financeiros para uma modernização da agricultura. Esses problemas se traduziam na baixa produtividade agrícola, que provocava freqüentes crises de abastecimentos alimentares, afetando tanto os camponeses como a população urbana.

Em 1881, o czar Alexandre II foi assassinado por um dos grupos de oposição política (os Pervomartovtsky) que lutavam pelo fim da monarquia vigente, responsabilizada pela situação de injustiça social existente.
Alexandre III (1881 – 1894)
Ver artigo principal: Alexandre III da Rússia

Após o assassinato de Alexandre II, as forças conservadoras russas uniram-se em torno do novo czar, Alexandre III, que retomou o antigo vigor do regime monárquico absolutista.

Alexandre III concedeu grandes poderes à polícia política do governo (Okhrana)4 , que exercia severo controle sobre os setores educacionais, imprensa e tribunais, além dos dois importantes partidos políticos (Narodnik e o Partido Operário Social-Democrata Russo), que queriam acabar com a autocracia passaram a atuar na clandestinidade.

Impedidos de protestar contra a exploração de que eram vítimas, camponeses e trabalhadores urbanos continuaram sob a opressão da aristocracia agrária e dos empresários industriais. Estes, associando-se a capitais franceses4 , impulsionavam o processo de industrialização do país. Apesar da repressão política comandada pela Okhrana, as ideias socialistas eram introduzidas no país por intelectuais preocupados em organizar a classe trabalhadora4 .

Alexandre III faleceu em 1894.
Nicolau II (1894 – 1918)
Ver artigo principal: Nicolau II da Rússia

Nicolau II, o sucessor de Alexandre III, procurou facilitar a entrada de capitais estrangeiros para promover a industrialização do país, principalmente da França, da Alemanha, da Inglaterra e da Bélgica. Esse processo de industrialização ocorreu posteriormente à da maioria dos países da Europa Ocidental3 . O desenvolvimento capitalista russo foi ativado por medidas como o início da exportação do petróleo, a implantação de estradas de ferro e da indústria siderúrgica.

Os investimentos industriais foram concentrados em centros urbanos populosos, como Moscovo, São Petersburgo, Odessa e Kiev. Nessas cidades, formou-se um operariado de aproximadamente 3 milhões de pessoas, que recebiam salários miseráveis e eram submetidas a jornadas de 12 a 16 horas diárias de trabalho, não recebiam alimentação e trabalhavam em locais imundos, sujeitos a doenças. Nessa dramática situação de exploração do operariado, as ideias socialistas encontraram um campo fértil para o seu florescimento2 .
O Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR)
Stálin, Lênin e Mikhail Kalinin em 1919.

Com o desenvolvimento da industrialização e o maior relacionamento com a Europa Ocidental, a Rússia recebeu do exterior novas correntes políticas que chocavam com o antiquado absolutismo do governo russo. Entre elas destacou-se a corrente inspirada no marxismo, que deu origem ao Partido Operário Social-Democrata Russo.

O POSDR foi violentamente combatido pela Okhrana. Embora tenha sido desarticulado dentro da Rússia em 1898, voltou a organizar-se no exterior, tendo como líderes principais Gueorgui Plekhanov, Vladimir Ilyich Ulyanov (conhecido como Lênin)3 e Lev Bronstein (conhecido como Trotsky).
A divisão do Partido: Mencheviques e Bolcheviques

Em 1903, divergências quanto à forma de ação levaram os membros do partido POSDR a se dividir em dois grupos básicos5 :

os mencheviques: liderados por Martov, defendiam que os trabalhadores podiam conquistar o poder participando normalmente das atividades políticas. Acreditavam, ainda, que era preciso esperar o pleno desenvolvimento capitalista da Rússia e o desabrochar das suas contradições, para se dar início efetivo à ação revolucionária. Como esses membros tiveram menos votos em relação ao outro grupo, ficaram conhecidos como mencheviques, que significa minoria.
os bolcheviques: liderados por Lenin, defendiam que os trabalhadores somente chegariam ao poder pela luta revolucionária. Pregavam a formação de uma ditadura do proletariado3 , na qual também estivesse representada a classe camponesa. Como esse grupo obteve mais adeptos, ficou conhecido como bolchevique, que significa maioria. Trotsky, que inicialmente não se filiou a nenhuma das facções, aderiu aos bolcheviques mais tarde, em 1917.

A Revolta de 1905: o ensaio para a revolução
Ver artigo principal: Revolta de 1905

Em 1904, a Rússia, que desejava expandir-se para o oriente, entrou em guerra contra o Japão devido à posse da Manchúria, mas foi derrotada. A situação socioeconômica do país agravou-se2 e o regime político do czar Nicolau II foi abalado por uma série de revoltas, em 1905, envolvendo operários, camponeses, marinheiros (como a revolta no navio couraçado Potemkin6 ) e soldados do exército. Greves e protestos contra o regime absolutista do czar explodiram em diversas regiões da Rússia. Em São Petersburgo, foi criado um soviete (conselho operário) para auxiliar na coordenação das várias greves e servir de palco de debate político.

Diante do crescente clima de revolta, o czar Nicolau II prometeu realizar, pelo Manifesto de Outubro, grandes reformas no país: estabeleceria um governo constitucional, dando fim ao absolutismo, e convocaria eleições gerais para o parlamento (a Duma), que elaboraria uma constituição para a Rússia. Os partidos de orientação liberal burguesa (como o Partido Constitucional Democrata ou Partido dos Cadetes) deram-se por satisfeitos com as promessas do czar, deixando os operários isolados.

Terminada a guerra contra o Japão, o governo russo mobilizou as suas tropas especiais (cossacos) para reprimir os principais focos de revolta dos trabalhadores. Diversos líderes revolucionários foram presos, desmantelando-se o Soviete de São Petersburgo. Assumindo o comando da situação, Nicolau II deixou de lado as promessas liberais que tinha feito no Manifesto de Outubro. Apenas a Duma continuou funcionando, mas com poderes limitados e sob intimidação policial das forças do governo.

A Revolução Russa de 1905, mais conhecida como “Domingo Sangrento”1 , tinha sido derrotada por Nicolau II, mas serviu de lição para que os líderes revolucionários avaliassem seus erros e suas fraquezas e aprendessem a superá-los. Foi, segundo Lenin, um ensaio geral para a Revolução Russa de 19175 .
Revolução de 1917
A queda do Czar e o processo revolucionário

Mesmo abatida pelos reflexos da derrota militar frente ao Japão, a Rússia envolveu-se em um outro grande conflito, a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), em que também sofreu pesadas derrotas nos combates contra os alemães5 . A longa duração da guerra provocou crise de abastecimento alimentar nas cidades, desencadeando uma série de greves e revoltas populares3 . Incapaz de conter a onda de insatisfações, o regime czarista mostrava-se intensamente debilitado7 .
Palácio Tauride, sede da Duma e posteriormente do Governo Provisório e do Soviete de Petrogrado.

Numa das greves em Petrogrado (actualmente São Petersburgo, então capital do país), Nicolau II toma a última das suas muitas decisões desastrosas: ordena aos militares que disparem sobre a multidão e contenham a revolta. Partes do exército, sobretudo os soldados, apoiaram a revolta. A violência e a confusão nas ruas tornam-se incontroláveis. Segundo o jornalista francês Claude Anet, em São Petersburgo cerca de 1500 pessoas foram mortas e cerca de 6 mil ficaram feridas.

Em 15 de março de 1917, o conjunto de forças políticas de oposição (liberais burguesas e socialistas) depuseram o czar Nicolau II, dando início à Revolução Russa7 . O czar foi posteriormente executado, e sua família, composta pela mulher, quatro filhas e um filho, ficaram em prisão domiciliar porém também foram executados posteriormente.
Revolução de Fevereiro ou Revolução Branca
Ver artigo principal: Revolução de Fevereiro

A primeira fase, conhecida como Revolução de Fevereiro, ocorreu de março a novembro de 1917.

Em 23 de Fevereiro (C.J.) (8 de Março, C.G.), uma série de reuniões e passeatas aconteceram em Petrogrado, por ocasião do Dia Internacional das Mulheres. Nos dias que se seguiram, a agitação continuou a aumentar, recebendo a adesão das tropas encarregadas de manter a ordem pública, que se recusavam a atacar os manifestantes.

No dia 27 de Fevereiro (C.J.), um mar de soldados e trabalhadores com trapos vermelhos em suas roupas invadiu o Palácio Tauride, onde a Duma se reunia. Durante a tarde, formaram-se dois comités provisórios em salões diferentes do palácio. Um, formado por deputados moderados da Duma, se tornaria o Governo Provisório. O outro era o Soviete de Petrogrado, formado por trabalhadores, soldados e militantes socialistas de várias correntes.3

Temendo uma repetição do Domingo Sangrento, o Grão-Duque Mikhail ordenou que as tropas leais baseadas no Palácio de Inverno não se opusessem à insurreição e se retirassem. Em 2 de Março, cercado por amotinados, Nicolau II assinou sua abdicação.

Após a derrubada do czar, instalou-se o Governo Provisório, comandado pelo príncipe Georgy Lvov5 , um latifundiário, e tendo Aleksandr Kerenski como ministro da guerra. Era um governo de caráter liberal burguês, comprometido com a manutenção da propriedade privada, e interessado em manter a participação russa na Primeira Guerra Mundial. Enquanto isso, o Soviete de Petrogrado reivindicava para si a legitimidade para governar7 . Já em 1 de Março, o Soviete ordenava ao exército que lhe obedecesse, em vez de obedecer ao Governo Provisório. O Soviete queria dar terra aos camponeses, um exército com disciplina voluntária e oficiais eleitos democraticamente, e o fim da guerra, objectivos muito mais populares do que os almejados pelo Governo Provisório.

Com ajuda alemã, Lenin regressa à Rússia em abril (C.J.), pregando a formação de uma república dos sovietes, bem como a nacionalização dos bancos e da propriedade privada. O seu principal lema era: Todo o poder aos sovietes8 .

Entretanto, o processo de desintegração do Estado russo continuava. A comida era escassa, a inflação bateu a casa dos 1.000 %, as tropas desertavam da fronte matando seus oficiais, propriedades da nobreza latifundiária eram saqueadas e queimadas. Nas cidades, conselhos operários foram criados na maioria das empresas e fábricas.A Rússia ainda continuava na guerra.
Revolução de Outubro ou Revolução Vermelha
O cruzador Aurora, navio que ajudou os bolcheviques a conquistar São Petersburgo, na época…
Ver artigo principal: Revolução de Outubro

A segunda fase, conhecida como revolução de Outubro, teve início em novembro de 1917.

Na madrugada do dia 25 de outubro os bolcheviques, liderados por Lênin, Zinoviev e Radek, com a ajuda de elementos anarquistas e Socialistas Revolucionários, cercaram a capital, onde estavam sediados o Governo Provisório e o Soviete de Petrogrado. Muitos foram presos, mas Kerenski conseguiu fugir5 . À tarde, numa sessão extraordinária, o Soviete de Petrogrado delegou o poder governamental ao Conselho dos Comissários do Povo5 , dominado pelos bolcheviques. O Comitê Executivo do mesmo Soviete de Petrogrado rejeitou a decisão dessa assembleia e convocou os sovietes e o exército a defender a Revolução contra o golpe bolchevique. Entretanto, os bolcheviques predominaram na maior parte das províncias de etnia russa. O mesmo não se deu em outras regiões, tais como a Finlândia, a Polônia e a Ucrânia.
…e atualmente, como museu em São Petersburgo.

Em 3 de novembro, um esboço do Decreto sobre o Controle Operário foi publicado. Esse documento instituía a autogestão em todas as empresas com cinco ou mais empregados. Isto acelerou a tomada do controle de todas as esferas da economia por parte dos conselhos operários, e provocou um caos generalizado, ao mesmo tempo que acelerou ainda mais a fuga dos proprietários para o exterior. Mesmo Emma Goldman viria a reconhecer que as empresas que se encontravam em melhor situação eram justamente aquelas em que os antigos proprietários continuavam a exercer funções gerenciais. Entretanto, este decreto levou a classe trabalhadora a apoiar o recém-criado e ainda fraco regime bolchevique, o que possivelmente teria sido o seu principal objetivo. Durante os meses que se seguiram, o governo bolchevique procurou então submeter os vários conselhos operários ao controle estatal, por meio da criação de um Conselho Pan-Russo de Gestão Operária. Os anarquistas se opuseram a isto, mas foram voto vencido.

Era consenso entre todos os partidos políticos russos de que seria necessária a criação de uma assembleia constituinte, e que apenas esta teria autoridade para decidir sobre a forma de governo que surgiria após o fim do absolutismo. As eleições para essa assembleia ocorreram em 12 de novembro de 1917, como planejado pelo Governo Provisório, e à exceção do Partido Constitucional Democrata, que foi perseguido pelos bolcheviques, todos os outros puderam participar livremente. Os socialistas revolucionários receberam duas vezes mais votos do que os bolcheviques, e os partidos restantes receberam muito poucos votos. Em 26 de dezembro, Lênin publicou suas Teses sobre a assembleia constituinte, onde ele defendia os sovietes como uma forma de democracia superior à assembleia constituinte. Até mesmo os membros do partido bolchevique compreenderam que preparava-se o fechamento da assembleia constituinte, e a maioria deles foram contra isto, mas o Comitê Central do partido ordenou-lhes que acatassem a decisão de Lênin.

Na manhã de 5 de janeiro de 1918, uma imensa manifestação pacífica a favor da assembleia constituinte foi dissolvida à bala por tropas leais ao governo bolchevique. A assembleia constituinte, que se reuniu pela primeira vez naquela tarde, foi dissolvida na madrugada do dia seguinte. Pouco a pouco, se tornou claro que os bolcheviques pretendiam criar uma ditadura para si, inclusive contra os partidos socialistas revolucionários. Isto levou os outros partidos a atuarem na ilegalidade, sendo que alguns deles passariam à resistência armada ao governo.

Durante este período, o governo bolchevique tomou uma série de medidas de impacto, como:

Pedido de paz imediata: em março de 1918 foi assinado, com a Alemanha, o Tratado de Brest-Litovski,3 no qual a Rússia abriu mão do controle sobre a Finlândia, Países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia), Polônia, Bielorrússia e Ucrânia, bem como de alguns distritos turcos e georgianos antes sob seu domínio.
Confisco de propriedades privadas: grandes propriedades foram tomadas dos aristocratas e da Igreja Ortodoxa, para serem distribuídas entre o povo.
Declaração do direito nacional dos povos: o novo governo comprometeu-se a acabar com a dominação exercida pelo governo russo sobre regiões tais como a Finlândia, a Geórgia ou a Armênia.
Estatização da economia: o novo governo passou a intervir diretamente na vida econômica, nacionalizando diversas empresas.3

Guerra civil
Ver artigo principal: Guerra Civil Russa

Durante o curto período em que os territórios cedidos no Tratado de Brest-Litovski estiveram em poder do exército alemão, as várias forças antibolcheviques puderam organizar-se e armar-se. Estas forças dividiam-se em três grupos que também lutavam entre si: 1) czaristas , 2) liberais, eseritas e metade dos socialistas e 3) anarquistas. Com a derrota da Alemanha em 1919, esses territórios tornaram-se novamente alvo de disputa, bem como bases das quais partiriam forças que pretendiam derrubar o governo bolchevique9 .

Ao mesmo tempo, Trotsky se ocupou em organizar o novo Exército Vermelho10 . Com a ajuda deste, os bolcheviques mostraram-se preparados para resistir aos ataques do também recém formado Exército polonês, dos Exércitos Brancos de Denikin, Kolchak, Yudenich e Wrangel (que se dividiam entre as duas primeiras facções citadas no parágrafo anterior), e também para suprimir o Exército Insurgente de Makhno e a Revolta de Kronstadt, ambos de forte inspiração anarquista. No início de 1921, encerrava-se a guerra civil, com a vitória do Exército Vermelho. O Partido Bolchevique, que desde 1918 havia alterado sua denominação para Partido Comunista, consolidava a sua posição no governo9 .
Criação da União Soviética
Ver artigo principal: História da União Soviética
Brasão de armas da URSS

Terminada a guerra civil, a Rússia estava completamente arrasada, com graves problemas para recuperar sua produção agrícola e industrial. Visando promover a reconstrução do país, Lenin criou, em fevereiro de 1921, a Comissão Estatal de Planificação Econômica ou GOSPLAN, encarregada da coordenação geral da economia do país. Pouco tempo depois, em março de 1921, adaptou-se um conjunto de medidas conhecidas como Nova Política Econômica ou NEP3 . Entre as medidas tomadas pela NEP destacam-se: liberdade de comércio interno, liberdade de salário aos trabalhadores, autorização para o funcionamento de empresas particulares e permissão de entrada de capital estrangeiro para a reconstrução do país. O Estado russo continuou, no entanto, exercendo controle sobre setores considerados vitais para a economia: o comércio exterior, o sistema bancário e as grandes indústrias de base.
O Governo Operário na União Soviética

Desde 1918, após uma tentativa de assassinato de Lenin no mês de agosto com a participação de membros do partido Socialista, encarregou-se de combater as facções de oposição no interior do Partido e de garantir os postos importantes da administração estatal para pessoas da inteira confiança do regime, o que foi por ele utilizado para impor à administração interna a hegemonia do seu grupo pessoal.

Em dezembro de 1922, foi organizado um congresso geral de todos os sovietes, ocorrendo a fundação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). O governo da União, cujo órgão máximo era o Soviete Supremo (Legislativo), passou a ser integrado por representantes das diversas repúblicas.

Competia ao Soviete Supremo eleger um comitê executivo (Presidium), dirigido por um presidente a quem se reservava a função de chefe de estado. Competiam ao governo da União as grandes tarefas relativas ao comércio exterior, política internacional, planificação da economia, defesa nacional, entre outros.

Paralelamente a essa estrutura formal, estava o Partido Comunista, que controlava, efetivamente, o poder da URSS. Sua função era controlar os órgãos estatais, estimulando sua atividade e verificando sua lealdade e manter os dirigentes em contato permanente com as massas. Também assegurava à população a difusão das ideologias vindas da alta cúpula.
A ascensão de Stálin

Lênin, o fundador do primeiro Estado socialista, morreu em janeiro de 19243 . Teve início, então, uma grande luta interna pela disputa do poder soviético. Num primeiro momento, entre os principais envolvidos nesta disputa pelo poder figuravam Trotski e Stalin5 .

Trotski defendia a tese da revolução permanente, segundo a qual o socialismo somente seria possível se fosse construído à escala internacional. Ou seja, a revolução socialista deveria ser levada à Europa e ao mundo.

Opondo-se a tese trotskista, Stalin defendia a construção do socialismo num só país. Pregava que os esforços por uma revolução permanente comprometeriam a consolidação interna do socialismo na União Soviética.

A tese de Stalin tornou-se vitoriosa. Foi aceita e aclamada no XIV Congresso do Partido Comunista.

Trotski foi destituído das suas funções como comissário de guerra, expulso do Partido e, em 1929, deportado da União Soviética3 . Tempos depois, em 1940, foi assassinado no México, a mando de Stalin3 , por um agente de segurança soviético, que desferiu no antigo líder do Exército Vermelho golpes de picareta na cabeça.
O governo de Stálin

A partir de dezembro de 1929, Stalin converteu-se no ditador absoluto da União Soviética11 . O método que utilizou para a total conquista do poder político teve como base a sua habilidade no controle da máquina burocrática do Partido e do Estado, bem como a montagem de um implacável sistema de repressão política de todos os opositores12 . Desse modo, Stalin conseguiu eliminar do Partido, do Exército e dos principais órgãos do Estado todos os antigos dirigentes revolucionários, muitos dos quais tinham sido grandes companheiros de Lénin, como Zinoviev, Bukharin, Kamenev, Rikov, Muralov entre outros.

Depois de presos e torturados, os opositores de Stalin eram forçados a confessar crimes de espionagem que não haviam praticado. E, assim, conhecidos patriotas eram executados como traidores da pátria. Era a farsa jurídica que caracterizou as chamadas depurações.

Durante o período stalinista (1924 – 1953) calcula-se que o terror político soviético foi responsável pela prisão de mais de cinco milhões de cidadãos e pela morte de mais de 23 milhões de pessoas.13

Houve êxito na reconstrução do país e na elevação do nível econômico e cultural da população soviética tornando a URSS, juntamente com os Estados Unidos, após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) uma das superpotências mundiais.14

Com a vitória dos aliados sobre o eixo nazi-fascista que foi formado pelos paises; Alemanha, Japão e Itália, a União Soviética, o principal oponente da Alemanha na Europa passou a dispor de enorme prestígio internacional, mas teve enormes perdas humanas e materiais. O governo de Stalin terminou com sua morte no ano de 1953

A guerra civil russa foi um conflito armado que eclodiu em abril de 1918 e terminou em 1921. Durante este período, exércitos e milícias de diversos matizes políticos se enfrentaram com o objetivo de implantar o seu próprio sistema. As partes em conflito incluiram ex-generais tzaristas, republicanos liberais (os Cadetes), o Exército Vermelho (bolchevique), milícias anarquistas (o Exército Insurgente Makhnovista) e tropas de ocupação estrangeiras. O Exército Vermelho foi o único vencedor do conflito, após o qual foi criado o Estado Soviético, sob liderança dos bolcheviques.1

Aproveitando-se do verdadeiro caos em que o país se encontrava, as nações aliadas da Primeira Guerra Mundial resolveram intervir a favor dos Brancos (tzaristas e liberais). Tropas inglesas, francesas, americanas e japonesas desembarcaram tanto nas regiões ocidentais (Crimeia e Geórgia) como nas orientais (ocupação de Vladivostok e da Sibéria Oriental). Seus objetivos eram: derrubar o governo bolchevique (que era pela paz com a Alemanha) e instaurar um regime favorável à continuação da Rússia na guerra; mas talvez seu objetivo maior fosse evitar a propagação dos ideais comunistas pela Europa Ocidental – daí a expressão utilizada por Georges Clemenceau, primeiro-ministro da França – de “cordon sanitaire”.

No terreno econômico, devido à situação de emergência e pelo próprio ímpeto revolucionário, o partido bolchevique instituiu o “comunismo de guerra”.1 O dinheiro e as leis do mercado foram abolidas, sendo substituídos por uma economia dirigida baseada na tributação em género sobre cereais produzidos pelos camponeses.2 Uma das consequências negativas destas medidas foi desencorajarem o plantio, por levarem os camponeses a sentir que bastaria produzir para sustento de suas famílias,2 o que resultou em os centros urbanos ficarem sem alimentos, provocando um êxodo das cidades para o campo – Petrogrado (atual São Petersburgo) e Moscou viram sua população reduzir-se pela metade.3 Estes factores terão contribuído, na conjuntura da guerra civil e das intervenções extrangeiras, para a fome de 1921 – uma das maiores mortalidades na Rússia moderna, em que pereceram milhões[quantos?].3
Rebeliões de Julho de 1918

Em 6 de julho de 1918, após o assassinato do embaixador alemão em Moscou, Conde Wilhelm von Mirbach, seguiram-se uma série de levantes e rebeliões por parte dos anarquistas russos e do Exército Branco contra o recém instaurado governo bolchevique. Estes levantes tiveram maior projeção até o fim daquele mesmo mês, mas se estenderam até 30 de dezembro de 1922.

Tais acontecimentos (por alguns historiadores agrupados em torno do conceito da Revolução Russa de 1918) iniciaram-se durante o “Quinto Congresso dos Soviets de Toda Rússia”, nos quais os discursos antibolcheviques dos anarquistas e dos socialistas-revolucionários não receberam apoio da maioria dos delegados. Derrotados no congresso, os anarquistas e os socialistas-revolucionários decidiram sabotar o Tratado de Brest-Litovsk procurando arrastar a Rússia Soviética a uma nova guerra com a Alemanha assassinando o embaixador alemão em Moscou.

União Soviética (em russo: Советский Союз, Sovetsky Soyuz), oficialmente União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS; em russo: Союз Советских Социалистических Республик, Soyuz Sovetskikh Sotsialisticheskikh Respublik; abreviado СССР, SSSR), era um Estado socialista constitucional que existiu na Eurásia entre 1922 e 1991.

A União Soviética era um Estado de partido único governado pelo Partido Comunista desde sua fundação até 1990.1 Mesmo sendo a URSS considerada formalmente uma união de 15 repúblicas soviéticas independentes (ou seja, uma federação), o seu governo e economia era altamente centralizado.

A Revolução Russa de 1917 provocou a queda do Império Russo. Após a Revolução Russa, houve uma luta pelo poder entre o Partido Bolchevique, liderado por Vladimir Lenin e o movimento anti-comunista Exército Branco. Em dezembro de 1922, os bolcheviques venceram a guerra civil e a União Soviética foi formada com a fusão da República Socialista Federativa Soviética Russa, República Socialista Federativa Soviética Transcaucasiana, a República Socialista Soviética Ucraniana e a República Socialista Soviética Bielorrussa. Depois da morte de Vladimir Lenin, em 1924, Josef Stalin assumiu o poder,2 levando a URSS através de um programa de industrialização em grande escala. Stalin estabeleceu uma economia planificada e a supressão da oposição política a ele e ao Partido Comunista.2 3 Em junho de 1941, a Alemanha nazista e seus aliados invadiram a União Soviética, quebrando o pacto de não-agressão, que este último tinha assinado em 1939. Depois de quatro anos de guerra brutal, a União Soviética saiu vitoriosa como uma das duas superpotências mundiais, sendo a outra os Estados Unidos.

A União Soviética e seus Estados satélites do Leste Europeu envolveram-se na Guerra Fria, uma prolongada luta política e ideológica global contra os Estados Unidos e seus aliados ocidentais, que acabou perdendo em face de problemas econômicos e agitação política interna e externa.4 5 No final dos anos 1980, o último líder soviético Mikhail Gorbachev tentou reformar o Estado com suas políticas de perestroika e glasnost, mas a União Soviética entrou em colapso e foi formalmente dissolvida em dezembro de 1991, após uma tentativa abortada de golpe em agosto.6 A Federação Russa assumiu os direitos e obrigações soviéticos.

Nomes

A União Soviética também era referida como СССP, um acrônimo para União das Repúblicas Socialistas Soviéticas de acordo com seu nome em russo, Союз Советских Социалистических Республик (Soyuz Soviétskikh Sotsialistítchieskikh Respúblik). Apesar de originalmente escrita no alfabeto cirílico (russo), o mundo ocidental acabou por adotá-la como CCCP, “latinizando” as letras. A sigla ficou bastante conhecida no mundo ocidental, devido ao uso do acrônimo em uniformes em competições esportivas e outros objetos, em eventos culturais e tecnológicos ocorridos na URSS, como por exemplo navios, automóveis ou chapéus e capacetes de cosmonautas. Isto também se deve pelo destacamento da União Soviética em tais eventos, o que a fez mais conhecida em todo o mundo. Devido à grande simbologia e a fama que esta sigla trouxe; após a abolição de seu uso, junto com o fim da URSS, a Rússia, durante a gestão de Vladimir Putin, retomou o uso do nome do país, mas desta vez descrito como “Россия” (Rossiya), acompanhando a restauração do hino soviético e da reutilização da bandeira com a foice e martelo como símbolo do exército russo.

Revolução e fundação
Ver artigo principal: Revolução Russa de 1905, Revolução Russa de 1917 e Guerra Civil Russa
Manifestantes marchando em direção ao Palácio de Inverno.

O ano de 1905 é considerado o prólogo da Revolução russa. A Rússia czarista acabara de ser derrotada em uma guerra contra o Japão. A derrota abalou a popularidade do czar Nicolau II e a revolta interna que se seguiu serviria de precedente para a revolução de 1917.

O Partido Operário Social-Democrata, dividido nas correntes Bolchevique e Menchevique (em russo: maioria e minoria respectivamente) iniciou a Revolução Russa em 1917, em duas etapas distintas. A queda do czar ocorreu em fevereiro, sendo instaurada então uma república cuja estrutura de poder desde cedo se dividiu entre um parlamento convencional e sovietes (conselhos populares) que não se reconheciam mutuamente. As tensões assim geradas acarretaram a Revolução de Outubro.

Entre 1918 e 1922, logo após a Revolução Bolchevique, teve início a Guerra Civil na Rússia, entre os revolucionários (vermelhos) e os contra-revolucionários (brancos) que apoiavam a volta do czarismo e tiveram o auxílio de tropas estrangeiras de intervenção enviadas por França, Reino Unido, Japão, Estados Unidos e mais 13 países. Certos exércitos formados por camponeses chegaram a ter 50.000 combatentes armados com o que estivesse ao seu alcance – de armas de fogo até ferramentas utilizadas para cultivar a terra.
Unificação das repúblicas
Trotsky, Lenin e Kamenev no segundo congresso do PCUS (1919).

Em 29 de dezembro de 1922 na Conferência Plenipotenciária das Delegações da República Socialista Federativa Soviética da Rússia, a República Socialista Federativa Soviética Transcaucasiana, a RSS da Ucrânia e a RSS da Bielorrússia aprovaram a URSS e a Declaração de Criação da URSS, que formou a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Estes dois documentos foram confirmadas pelo 1º Congresso dos Sovietes da URSS e assinado pelos chefes de delegação, Mikhail Kalinin, Mikha Tskhakaya, Mikhail Frunze e Grigori Petrovski, Aleksandr Chervyakov, respectivamente, em 30 de dezembro de 1922. Somente após o final da Segunda Guerra Mundial é que o número de repúblicas chega a 15, quadro que se mantém até o fim do país em 1991.

Em 1924, Lenin morre e deixa um vazio no poder soviético, acarretando a disputa interna entre os dois líderes da Revolução, Stalin e Trotsky. Os dois se divergiam para saber qual caminho de desenvolvimento a URSS deveria fazer, ou expandir a revolução pelo mundo (revolução mundial), segundo o ideal de Revolução Permanente de Trotsky, ou primeiro o desenvolvimento da URSS e somente no futuro a possível expansão do socialismo pelo mundo, segundo o ideal do socialismo em um só país de Stalin.

A oposição Stalin-Trotsky ia além de um conflito pessoal pelo poder, refletia em duas concepções diferentes do desenvolvimento do socialismo, que foi resolvido em favor de Stalin, com o apoio de Zinoviev e Kamenev. Marginalizado Trotsky (janeiro de 1925) a construção do “socialismo em um só país”, liderado por Stalin exigia a eliminação de adversários da esquerda e da direita, e à existência no Komintern de uma estratégia internacional que seria compatível com os interesses do movimento comunista na União soviética. Após ser derrotado em sua posição, Trotsky foi forçado ao exílio no México, para ser morto em 1940 por Ramón Mercader , um agente hispanosoviético.
Era Stálin
Ver artigo principal: Era Stálin (1927-1953)
Stálin, governou a URSS com mão-de-ferro, dos anos 1930 até a sua morte em 1953.

A União Soviética entre 1927 e 1953 (a chamada Era Stálin) foi dominada por Josef Stalin. Muitas vezes a URSS foi descrita como um estado totalitário, modelado por um líder que tinha todos os poderes, e que buscava reformar a sociedade soviética, com planejamento econômico agressivo, em especial, com uma varredura da coletivização da agricultura e do desenvolvimento do poder industrial. Ele também construiu uma enorme burocracia, o que sem dúvida foi responsável por milhões de mortes como resultado de vários expurgos e esforços de coletivização. Durante seu tempo como líder da URSS, Stalin fez uso frequente de sua polícia secreta, gulags e poder quase ilimitado, para remodelar a sociedade soviética.

A subida ao poder definitivo de Joseph Stalin, como secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética ou Gensek entre 1927 e 1929, marcou o início de uma transformação radical da sociedade soviética. Em alguns anos, a face da União Soviética mudou radicalmente pela coletivização de terras e pela rápida industrialização realizada pelos muitos ambiciosos planos quinquenais.

Na mesma época em que Stalin começou a coletivização forçada, em 1929, ele também recriou a campanha contra a cultura nacional ucraniana, campanha essa que estava dormente desde o início da década de 1920. Foi na Ucrânia que a política de coletivização stalinista deparou-se com a mais ardorosa e violenta resistência — o que não impediu, entretanto, que o processo já estivesse praticamente completo por volta de 1932.8

Mesmo com o processo de coletivização já praticamente completo na Ucrânia, Stalin anunciou que a batalha contra os kulaks ainda não estava ganha — os kulaks haviam sido “derrotados, mas ainda não exterminados.” Dado que, a essa altura, qualquer pessoa que por qualquer definição cabível pudesse ser classificada como um kulak já havia sido expulsa, morta ou enviada para campos de trabalho forçado, essa nova etapa da campanha soviética na Ucrânia teria o objetivo de aterrorizar os camponeses comuns.

Stalin começou estipulando metas de produção e entrega de cereais, exageradamente altas. O não cumprimento das exigências era considerado um ato de deliberada sabotagem. Após algum tempo, e com a produção e entrega inevitavelmente abaixo da meta, Stalin determinou que seus ativistas confiscassem dos camponeses todo o volume de cereais necessário para alcançar as metas estipuladas. As pessoas eram sentenciadas a dez anos de prisão e a trabalhos forçados pelo simples fato de colherem batatas, ou até mesmo por colher espigas de milho nos pedaços de terra privada que elas podiam gerir.9 10

No ano de 1936, o regime de Josef Stalin expulsou ou executou um número considerável de membros do Partido, entre eles muitos dos seus opositores, nos atos que ficaram conhecidos como os “Grandes Expurgos” (ver: repressão política na União Soviética).

Apesar de tudo, eles acreditavam que este seria o caminho para o comunismo, mas o rumo dessa forma social já estava traçado de forma totalmente distinta do que Marx e Lenin pensavam, não mais sendo uma forma voltada para a dissolução do próprio Estado e das classes sociais, mas agora, o regime sob o comando de Josef Stalin, já era uma forma social voltada para a cristalização (a ideia de socialismo dentro de um só país). Entre as coisas que foram feitas com esse efeito contam-se as nacionalizações e a aniquilação física da classe burguesa que o NEP havia recriado, com recurso aos gulags (campos de trabalho na Sibéria). Alguns teóricos criticam esta forma que Stalin utilizou para liquidar a propriedade privada, por não concordarem com ela, e por acharem que ela só mancha a imagem do comunismo perante o mundo pois o mesmo efeito poderia ter sido obtido sem a aniquilação física daquela classe. O desastre e a truculência autoritária das políticas stalinistas contribuíram muito para a deturpação do conceito criado por Marx, de ditadura do proletariado.

Após as nacionalizações, a economia foi planificada, de modo a que esta pudesse tirar proveito da sua nacionalização. De 5 em 5 anos passou-se a realizar planos quinquenais, nos quais se decidiam que fundos seriam aplicados e em que áreas.
Segunda Guerra Mundial
Ver artigo principal: Frente Oriental (Segunda Guerra Mundial)
Ver também: Operação Barbarossa, Grande Guerra Patriótica e Batalha de Stalingrado
Generais soviéticos e alemães durante o desfile militar germano-soviético em Brest-Litovsk após a invasão soviética da Polónia.
Generais soviéticos e alemães durante o desfile militar germano-soviético em Brest-Litovsk após a invasão soviética da Polónia.
Stalin encontra Harry Truman e Clement Attlee em 1 de agosto de 1945, na Conferência de Potsdam, ao final da Segunda Guerra Mundial.
Stalin encontra Harry Truman e Clement Attlee em 1 de agosto de 1945, na Conferência de Potsdam, ao final da Segunda Guerra Mundial.

Entre Outubro e Novembro de 1940, a União Soviética manteve conversações com Alemanha, sobre a possibilidade de ingressar no grupo das potências do Eixo (Alemanha Nazista, Itália fascista e Império do Japão) como uma quarta potência (ver: negociações sobre a adesão da União Soviética ao Eixo). Mas, em Junho do ano seguinte, a Alemanha desrespeitou o Pacto Molotov-Ribbentrop e invadiu o território soviético.

De 1941 a 1945, a participação da União Soviética na Segunda Guerra Mundial ficou conhecida como a Grande Guerra Patriótica, combatendo os soviéticos contra as forças invasoras da Alemanha nazi, ao lado dos Aliados ocidentais.

A Barbarossa (como foi chamada a operação de invasão da União Soviética pela Alemanha) teve início em 22 de Junho de 1941 quando três grupos de exércitos, totalizando mais de 191 divisões da Alemanha e seus aliados, atravessaram as fronteiras da então União Soviética. O Grupo de Exércitos Norte comandado por Wilhelm Ritter von Leeb tinha como objetivo ocupar as bases navais do mar Báltico e tomar Leningrado (segunda maior cidade e berço da revolução comunista – atualmente São Petersburgo) o Grupo de Exércitos Centro, comandando por Von Bock, visava avançar pela estrada de ferro de Varsóvia a Moscou ocupando as cidades de Minsk, Smolensk, Viazma e Moscou (maior cidade e capital do Poder Soviético). E o Grupo de Exércitos Sul, comandado por Gerd von Rundstedt, pretendia ocupar toda a Ucrânia (o “celeiro” da nação, pela grande produção de cereais). O avanço das tropas do Eixo foi fixado no seu avanço máximo em torno da linha que ia de Arkhangelsk ao norte e Astrakhan ao sul.

O Exército Vermelho (assim chamado desde os tempos da guerra civil), apesar dos avisos vindos de várias fontes, foi apanhado de surpresa, fato este que possibilitou o fácil e rápido avanço das forças invasoras. Passando a surpresa inicial e arregimentado pela liderança do líder soviético Josef Stalin, os povos de todas as repúblicas soviéticas conseguiram resistir – no entanto, não sem sofrerem numerosas perdas humanas e materiais, tendo um terço do território na Europa (a mais rica e populosa) caído na mão do inimigo. Calcula-se que perto de 5 milhões de soldados do Exército Vermelho tenham sido mortos, capturados ou feridos nos primeiros 6 meses da guerra.

Apesar das significativas vitórias dos exércitos nazi-fascistas nas batalhas de Minsk, Smolensk, Viazma e Kiev, entre outras, a tenacidade da resistência dos soldados soviéticos, acrescentada pela mobilização do povo soviético diante do inimigo, fez com que a máquina de guerra nazista não alcançasse seus principais objetivos, que eram destruir o exército soviético e conquistar as principais cidades do país: Leningrado e Moscou.
Guerra Fria
Ver artigo principal: Guerra Fria
Mapa dos países pertencentes ao Pacto de Varsóvia.
Máxima extensão do chamado Bloco Comunista no planeta.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, os países europeus estavam semi-destruídos e sem recursos para se reconstruírem sozinhos, com isso as superpotências resolveram ajudar cada um de seus aliados, com objetivo de não perderem áreas de influência.

Os Estados Unidos propõem a criação de um amplo plano econômico, o Plano Marshall, que tratava-se da concessão de uma série de empréstimos a baixos juros e investimentos públicos para facilitar o fim da crise na Europa Ocidental e repelir a ameaça do socialismo entre a população descontente.

A União Soviética propôs-se a ajudar seus países aliados, com a criação do Conselho para Assistência Econômica Mútua (COMECON). O COMECON fora proposto como maneira de impedir os países-satélites da União Soviética de demonstrar interesse no Plano Marshall, e não abandonarem a esfera de influência de Moscou.

Em 1949 os Estados Unidos e o Canadá, juntamente com a maioria da Europa ocidental, criaram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), uma aliança militar com o objetivo de proteção internacional em caso de um suposto ataque dos países do leste europeu. Em resposta à OTAN, a URSS firmou entre ela e seus aliados o Pacto de Varsóvia (1955) para unir forças militares da Europa Oriental. Logo as alianças militares estavam em pleno funcionamento, e qualquer conflito entre dois países integrantes poderia ocasionar uma guerra nunca vista antes.

A Guerra da Coreia (1950-1953), a Guerra do Vietnã (1962-1975) e a Guerra do Afeganistão (1979-1989) são os conflitos mais famosos da Guerra Fria. Além da famosa tensão na Crise dos mísseis em Cuba (1962) e, também na América do Sul, a Guerra das Malvinas (1982). Entretanto, durante todo este período, a maior parte dos conflitos locais, guerras civis ou guerras inter-estatais foi intensificado pela polarização entre Estados Unidos e URSS (ver: guerra por procuração).

Durante esses 40 anos de Guerra Fria, o sistema socialista soviético foi expandido de tal forma que chegou a ter países socialistas do Extremo Oriente a Cuba. A maioria seguindo as ordens de Moscou. Este cenário de tensão mundial perdurou até 1991, quando a União Soviética acabou e consequentemente o fim de uma grande ameaça ao capitalismo e aos Estados Unidos. A Guerra Fria durou cerca de 45 anos e durante esse período o mundo já esteve perto da Guerra nuclear várias vezes.
Era Khrushchev
Ver artigo principal: Era Khrushchov
Ver também: Desestalinização, Corrida espacial e Programa espacial soviético
A extensão máxima territorial dos países do mundo sob a influência soviética, depois da Revolução Cubana de 1959 e antes da cisão sino-soviética de 1961

Stalin morreu em 5 de março de 1953, deixando um vazio de poder que levou a uma disputa interna no PCUS (Partido Comunista da União Soviética) pela liderança, entre Malenkov, Beria, Molotov e Khrushchov – este último vencedor. Como sucessor de Stalin, Khrushchov empreendeu uma política de denunciar os abusos do seu antecessor. Durante o Congresso de 1956 do PCUS, Khrushchov divulgou uma série de crimes de Stalin (ver: Discurso secreto), renegando a herança do estalinismo, estabelecendo, assim, uma nova postura e criando um novo paradigma para o comunismo internacional. A propaganda capitalista se utilizou muito dos argumentos engendrados por Khrushchov para fazer frente à URSS.

Nesta Era, houve a libertação de diversos prisioneiros políticos dos Gulags, um esforço sem precedentes foi realizado para a produção de bens de consumo, e também realizou numerosas reformas, muitas vezes citadas como precipitadas ou contraditórias, também esteve presente o Discurso secreto de Nikita Khrushchov, criticando o regime stalinista, e revelando os crimes de Stálin, e seus cultos à personalidade.

Não existe consenso quanto à contagem de vítimas do stalinismo. Determinadas estatísticas afirmam que entre 20 a 35 milhões de soviéticos morreram por fome, frio ou executados em campos de concentração ou de trabalhos forçados durante a época de Stalin.11

No plano externo, ele se utilizou da chamada, Coexistência pacífica, que afirmava que o bloco comunista poderia coexistir pacificamente com os Estados capitalistas. Esta teoria foi contrária ao princípio que o comunismo e o capitalismo eram antagônicos e nunca poderiam existir em paz. A União Soviética aplicou-a às relações entre o mundo ocidental e, em particular, com os Estados Unidos, os países da OTAN e as nações do Pacto de Varsóvia.

Isso repercutiu amplamente nos países socialistas da Europa Oriental (em 1956 ocorreria a Revolução Húngara que visava por fim ao aparato repressivo do regime stalinista, mas que logo foi esmagado com a intervenção da URSS), e na China com a ruptura sino-soviética nas décadas de 1950 e 1960. Durante os anos 1960 e início dos anos 1970, a República Popular da China, sob a liderança de seu fundador, Mao Tse-tung, que alegou que a atitude beligerante deveria ser mantida para os países capitalistas e, por isso, inicialmente rejeitou a coexistência pacífica considerando-a como revisionismo da teoria marxista.
Uma réplica do Sputnik 1, o primeiro satélite artificial, lançado em 1957 pela URSS.

Como resultado da guerra fria, a União Soviética viu-se envolvida em uma corrida pela conquista do espaço com os Estados Unidos. O programa espacial soviético começou com uma grande vantagem sobre o dos Estados Unidos. Devido a problemas técnicos para fabricar ogivas nucleares mais leves, os mísseis lançadores intercontinentais da URSS eram imensos e potentes se comparados com seus similares estadunidenses. Logo, os foguetes para seu programa espacial já estavam prontos como resultado do esforço militar soviético resultante da guerra fria. Assim, na época em que a Sputnik foi lançada, a capacidade de lançamento da URSS era de 500 kg, enquanto que a dos Estados Unidos era de 5 kg. A União Soviética foi a nação que tomou a dianteira na exploração espacial ao enviar o primeiro satélite artificial, o Sputnik 1, e o primeiro homem ao espaço, Yuri Gagarin. Grande parte dos feitos espaciais da União Soviética devem-se ao talento do engenheiro de foguetes Sergei Korolev, o engenheiro-chefe do programa espacial soviético, que convenceu o líder Nikita Kruschov da importância da conquista do espaço.

No âmbito econômico, um esforço sem precedentes foi realizado para a produção de bens de consumo, e também realizou numerosas reformas na agricultura soviética. Mesmo não obtendo o resultado esperado. Por tais medidas precipitadas e contraditórias, Khrushchov é deposto pelo Politburo.
Era Brejnev
Ver artigo principal: Era da Estagnação
O presidente soviético Leonid Brejnev chega à Casa Branca, em Washington, para encontro com Richard Nixon, 1973.

Leonid Brejnev toma a União Soviética em uma difícil situação após a gestão contraditória de Khrushchov, os países mais próximos em meio à instabilidade, uma situação tensa com a República Popular da China, relações inconstantes, ora apocalípticas, ora amistosas com os Estados Unidos, a resistência da Iugoslávia ao Pacto de Varsóvia e uma divisão política dentro do partido.

A deposição de Khrushchov e a posse de Leonid Brejnev representaram a volta do poder stalinista no poder do partido, incluindo a burocracia que controlava a União Soviética na época de Stálin, mas que rachou-se por Khrushchov, em meio às suas medidas revisionistas.12

Brejnev desenvolve a política da Teoria da Soberania Limitada, uma política neo-stalinista, que pretendia manter a União Soviética como eixo socialista no mundo, com as demais nações alinhadas a Moscou. Esta política era caracterizada stalinista por manter a hegemonia socialista, promover o culto da personalidade e manter uma burocracia na política, cuja remoção, segundo Brejnev, era um exemplo de pensamento utópico e trotskista.13

Brejnev tentaria reabilitar o nome de Stálin, que não era pronunciado pelos líderes soviéticos havia quase dez anos, mas não conseguiu, uma vez que as autoridades e o povo ficaram divididos pelo que dissera Khrushchov a respeito de Stálin. Por outro lado, a simbologia comunista na época de Stálin, incluindo propagandas políticas, paradas militares, a expulsão de críticos ao regime e o próprio culto à personalidade, em menor escala, foram uma das principais características do regime de Brejnev.

Com o tempo, a situação política do país se estabilizou e o partido concordou em seguir uma linha neutra com relação à liberalização iniciada por Khrushchov. Foi durante a gestão de Brejnev que o hino soviético recuperou sua letra e propagandas a favor do partido eram lançadas na imprensa.14

Durante esta época, a URSS conseguiu atingir seu auge político, militar e econômico, tendo grande influência em todo o mundo, desde a economia até os esportes, e seu povo alcançou uma melhor qualidade de vida.15

A saúde e educação tornaram-se exemplos mundiais, a indústria crescia rapidamente e a ciência soviética desenvolvia novas tecnologias. A população abaixo da linha da pobreza no ano de 1975, segundo o Instituto Levada, era de 1,5%, o menor nível na história da Rússia.16

Em 1982, após duas décadas de governo, Brejnev morre inesperadamente em decorrência da ingestão de pentobarbitais, sendo sucedido pelo ex-agente secreto Iuri Andropov, que daria início a uma reforma política no país, interrompida por uma séria doença que o levou à morte, em 1984. Konstantin Chernenko, homem de confiança de Brejnev, abriu mão da aposentadoria e assumiu a presidência da URSS, mesmo idoso e doente. Após um ano de governo, Chernenko é internado às pressas e morre no início de 1985, representando o fim de uma geração de políticos soviéticos, caracterizados por manterem uma linha dura e conservadora. Sucederia-lhe no cargo o jovem Mikhail Gorbatchov, contando com um Politburô mais jovem, liberal e flexível.
Decadência e reformas
Ver artigo principal: Era Gorbachev (1985-1991)

A partir do final dos anos 1970 começam a ficar claras as limitações do modelo soviético de economia planificada. A Crise do Petróleo dos anos 70 elevou a economia soviética, podendo o povo, em pleno regime socialista, consumir mais, muitas famílias puderam comprar novas tecnologias a mais, automóveis, fornos microondas e aparelhos eletrônicos, não eram novidade para muitos, mas mais de um automóvel e diversos aparelhos eletrônicos eram um sonho que dependiam de muita economia, e que agora tornava-se realidade para muitas famílias, dando um conforto material muito maior, sem ferir os princípios socialistas. O bem estar foi tanto, que as autoridades soviéticas chegavam a dizer que os países capitalistas estavam em crise.16

Por este profundo desenvolvimento econômico, político e militar, a economia soviética acabou estagnando no final dos anos 70, mas tal estagnação nem sequer chegava a ser classificada como crise, e nem previa que mais tarde, esta pequena estagnação se transformaria em uma crise profunda a ponto de desestruturar a economia soviética. Como a estagnação dos anos 1970 se transformou em uma crise profunda nos anos 80 a ponto de desestruturar a economia soviética é objeto de discusões até os dias de hoje. A comparação com a China que realizou uma transição mais bem sucedida para o capitalismo tem auxiliado a avaliar melhor o peso dos fatores estrutrurais e cojunturais nesta crise.17
Leonid Brejnev discursa no Soviete Supremo da URSS, 1978.

Em termos estruturais a economia planificada talvez tenha sido a principal responsável pela crise, pois exigia que tudo que fosse produzido em todos os setores da economia estivesse planejado nos planos quinquenais. Na prática isto criava distorções, como excesso de determinados produtos (indústrias de base e de bens de capital) e escassez de outros (bens de consumo). Quando a produção de determinado produto era insuficiente para atender o consumo, ao invés dos preços subirem até inibir a demanda (como costuma ocorrer em uma economia de mercado) os produtos simplesmente se esgotavam e desapareciam da lojas e prateleiras dos supermercados.

Os custos militares da Guerra Fria já estavam insustentáveis para a URSS no fim dos anos 1970. O país mantinha forças armadas de quase dois milhões de homens, sendo 1 milhão mobilizados na Europa Oriental. Quando a China se aproxima dos Estados Unidos nos anos 1970 e passa a ameaçar a URSS a situação piora. A China estacionou quase 1 milhão de homens nas fronteiras com a União Soviética, e para contrabalançar, esta teve que estacionar outro 1 milhão de homens na fronteira com a China. Os custos desta mobilização permanente começavam a se mostrar insutentáveis no início dos anos 1980 com o envolvimento soviético no conflito do Afeganistão.

Segundo Angelo Segrillo, o fator militar não foi o fator principal da queda da URSS, pois o gasto soviético nesta área não cresceu significativamente, quando comparado com dados anteriores. A queda deveu-se principalmente a mudança do paradigma mundial de produção industrial, iniciado no início da década de 1970, passando do modelo Fordista, onde a produção era centralizada e com pouca flexibilidade, portanto mais adaptada ao modelo soviético, para o modelo Toyotista, descentralizado e flexível, incompátíveis com o modelo soviético de produção.18 19
Retirada de tropas soviéticas do Afeganistão em 1988.

Mikhail Gorbatchov foi o último dirigente soviético. Assumiu o cargo de secretário-geral da PCUS (Partido Comunista da União Soviética) em março de 1985, substituindo Konstantin Tchernenko, que faleceu naquele ano. O bom relacionamento com os membros do partido e a habilidade política foram fatores que credenciaram Gorbatchov a assumir o posto mais importante na hierarquia administrativa soviética. Defensor de ideias modernizantes, instituiu dois projetos inovadores: a perestroika (reconstrução econômica) e a glasnost (transparência política). A tentativa de modernização acelerada da perestroika e da glasnost viria como proposta “salvadora” de Gorbatchov, mas não conseguiria mais reverter a crise.

O ano de 1989 viu as primeiras eleições livres no mundo socialista, com vários candidatos e com a mídia livre para discutir. Ainda que muitos partidos comunistas tivessem tentado impedir as mudanças, a perestroika e a glasnost de Gorbachev tiveram grande efeito positivo na sociedade. Assim, os regimes comunistas, país após país, começaram a cair. A Polônia e a Hungria negociaram eleições livres (com destaque para a vitória do partido Solidariedade na Polônia), e a Tchecoslováquia, a Bulgária, a Romênia e a Alemanha Oriental tiveram revoltas em massa, que pediam o fim do regime socialista (ver: Revoluções de 1989).
A queda muro de Berlim em 9 de novembro de 1989.

E na noite de 9 de Novembro de 1989 o Muro de Berlim começou a ser derrubado depois de 28 anos de existência. Antes da sua queda, houve grandes manifestações em que, entre outras coisas, se pedia a liberdade de viajar. Além disto, houve um enorme fluxo de refugiados ao Ocidente, pelas embaixadas da RFA, principalmente em Praga e Varsóvia, e pela fronteira recém-aberta entre a Hungria e a Áustria, perto do lago de Neusiedl.

Em 1990, com a reunificação alemã, a União Soviética cai para o posto de quarto maior PIB mundial. Este quadro piora rapidamente com a nova crise da transição para o capitalismo nos anos 1990, quando a Rússia torna-se o 15º PIB mundial. Entre 1987 e 1988 a URSS abdica de continuar a corrida armamentista com os Estados Unidos, assinando uma nova série de acordos de limitação de armas estratégicas e convencionais. A URSS inicia a retirada do Afeganistão e começa a reduzir a presença militar na Europa Oriental. O governo soviético pressiona aliados pela negociação de paz em conflitos como a Guerra Civil Angolana, onde os termos para o fim do conflito são estabelecidos em acordo com os Estados Unidos, Angola, Cuba e África do Sul. Esta nova postura também significou a redução de todas as formas de apoio (político, financeiro e comercial) que esta potência dava a regimes aliados em todo o mundo.

No plano interno, Gorbatchov enfrentou grandes resistências da oligarquia e dos burocratas partidários (os Apparatchiks). A linha dura do partido via a postura de Gorbatchov no plano internacional como covarde e acusava-o de trair a URSS e o socialismo. Estes grupos eram contra a retirada do Afeganistão e defendiam que a URSS deveria intervir nos países da Europa Oriental que estavam passando por processos de democratização e abandonavam o socialismo, como a Polônia. Em 1991, setores mais belicistas do governo soviético defenderam que a URSS deveria ter apoiado o Iraque na Guerra do Golfo contra a coalizão de países liderada pelos Estados Unidos e passaram a criticar o governo Gorbatchov como fraco.

Na metade do ano de 1990 e início de 1991, a situação política e econômica na União Soviética se agravou e para tentar reverter essa crise o presidente Mikhail Gorbatchov, pensou em primeiro resolver o problema político e étnico soviético para depois reformar a economia. O novo Tratado da União dos Estados Soberanos foi um projeto de tratado que teria substituído o de 1922 (Tratado da Criação da URSS) e, portanto, teria substituído a União Soviética por uma nova entidade chamada União de Estados Soberanos, uma tentativa de Mikhail Gorbachev para recuperar e reformar o Estado soviético.
Colapso
Ver artigo principal: Previsões do colapso da URSS, Dissolução da União Soviética, Tentativa de golpe de Estado na União Soviética em 1991 e Comunidade de Estados Independentes
Yeltsin em um tanque desafiando o Golpe de Agosto de 1991.

Em 19 de agosto de 1991, um dia antes de Gorbachev e um grupo de dirigentes das Repúblicas assinarem o novo Tratado da União, um grupo chamado Comité Estatal para o estado de emergência (Государственный Комитет по Чрезвычайному Положению, ГКЧП ‘, pronunciado GeKaTchePe) tentou tomar o poder em Moscou. Anunciou-se que Gorbachev estava doente e tinha sido afastado de seu posto como presidente. Gorbachev foi, então, em férias a Crimeia onde a tomada do poder foi desencadeada e lá permaneceu durante todo o seu curso. O vice-presidente da União Soviética, Gennady Yanaiev, foi nomeado presidente interino. A comissão de 8 membros, incluindo o chefe da KGB Vladimir Krioutchkov e o Ministro das Relações Exteriores, Boris Pougo, o ministro da Defesa, Dmitri Iazov, todos os que concordaram em trabalhar sob Gorbachev. Em 21 de agosto de 1991, a grande maioria das tropas que são enviadas a Moscou se coloca-se abertamente ao lado dos manifestantes ou são desertores. O golpe falhou e Gorbachev, que tinha atribuído à sua residência dacha na Crimeia, regressou a Moscou.

Após o seu regresso ao poder, Gorbachev prometeu punir os conservadores do Partido Comunista da União Soviética (PCUS). Demitiu-se das suas funções como secretário-geral, mas continua a ser presidente da União Soviética. O fracasso do golpe de Estado apresentou uma série de colapsos das instituições da união. Boris Yeltsin assumiu o controle da empresa central de televisão e os ministérios e organismos económicos.

A derrota do golpe e o caos político e econômico que se seguiu agravou o separatismo regional e acabou levando à fragmentação do país.

Em setembro as repúblicas bálticas (Estônia, Letônia e Lituânia) declaram a independência em relação a Moscou. Em 1º de Dezembro, a Ucrânia proclamou sua independência por meio de um plebiscito que contou com o apoio de 90% da população. E entre outubro e dezembro 11 (com as 3 repúblicas bálticas e a Ucrânia) das 15 repúblicas soviéticas declaram independência. Em 21 de dezembro líderes da Federação Russa, Ucrânia e Bielorússia assinaram um documento onde era declarada extinta a União Soviética. E no seu lugar era criada a Comunidade dos Estados Independentes (CEI).

No dia de natal de 1991, em cerimônia transmitida por satélite para o mundo inteiro, Gorbatchov que estava há 6 anos no poder declara oficialmente o fim da URSS e renúncia a presidência do país e após isso, a bandeira com a foice e o martelo é retirada do Kremlin e a bandeira russa é colocada em seu lugar. A União Soviética se dissolveu oficialmente em 31 de dezembro de 1991, após 69 anos de existência. A Federação Russa ficou conhecida como sua sucessora, pois ficou com mais da metade do antigo território soviético, além da maioria do seu parque industrial e militar.
Geografia
Extensão territorial da URSS.

A União Soviética localizava-se nas latitudes médias e do norte do Hemisfério Norte. Quase duas vezes e meia maior do que o território dos Estados Unidos, era um país de tamanho continental, apenas ligeiramente menor do que toda a América do Norte.20 O território soviético tinha uma área total de 22 402 200 quilômetros quadrados, o que representava um sexto da superfície terrestre da Terra.21 22 Três quartos do país estava a norte do paralelo 50;20 21 a URSS era, no geral, muito mais próxima do Pólo Norte do que do equador.

Estendendo para sobre 62 710 quilômetros, a fronteira soviética era não somente a maior do mundo, como também a mais larga. Ao longo da fronteira terra quase 20.000 km, a União Soviética fazia fronteira com doze países, seis em cada continente. Na Ásia, seus vizinhos eram a Coreia do Norte, China, Mongólia, Afeganistão, Irã, e Turquia. Na Europa, limitou-se a Romênia, Hungria, Tchecoslováquia, Polônia, Noruega, e Finlândia. À exceção dos quilômetros gelados do Estreito de Bering, teria um décimo terceiro vizinho: os Estados Unidos. O restante dos 60.000 km de fronteira, era com o Oceano Ártico.20 21

Ao norte, o litoral ártico é o domínio da tundra. Ao Sul da tundra estende-se o domínio da floresta boreal (taïga). Mais ao Sul ainda, a floresta enriquece-se de árvores com muitas folhas, que cobrem principalmente a parte oriental da planície europeia bem como o Sul da Rússia extremo-oriental. Para o Sul, a floresta degrada-se e se torna um estepe com poucas áreas com montanhas. Ainda há desertos no sul do país. E na parte europeia desenvolve-se sobre terras pretas muito férteis várias plantas de clima temperado.
Demografia
Evolução demográfica da União Soviética e das ex-repúblicas soviéticas de 1961 até 2009.

Os primeiros cinquenta anos do século XX da Rússia czarista e da União Soviética foram marcados por uma sucessão de desastres, cada um acompanhado por grandes perdas populacionais. Mortes em excesso no decorrer da Primeira Guerra Mundial e da Guerra Civil Russa (incluindo a fome pós-guerra) ascenderam a um total combinado de 18 milhões,23 cerca de 10 milhões em 1930 e mais de 26 milhões entre 1941 e 1945. A população do pós-guerra soviético era 45 e 50 milhões menor do que teria sido se o crescimento demográfico pré-guerra tivesse continuado.24

A taxa de natalidade bruta da URSS diminuiu de 44,0 por mil habitantes em 1926 para 18,0 em 1974, em grande parte devido à crescente urbanização e ao aumento da idade média dos casamentos. A taxa de mortalidade bruta demonstrou um decréscimo gradual também – de 23,7 por mil em 1926 para 8,7 em 1974. Em geral, as taxas de natalidade das repúblicas do sul da Transcaucásia e da Ásia Central eram consideravelmente maiores que as do norte da União Soviética e, em alguns casos, até mesmo aumentaram no período pós-II Guerra, um fenômeno atribuído em parte as lentas taxas de urbanização e de casamentos, que tradicionalmente se realizavam mais cedo nas repúblicas do sul.25 A Europa soviética mudou-se para a sub-fertilidade de substituição populacional, enquanto a Ásia Central Soviética continuou a apresentar crescimento populacional bem acima do nível de fertilidade de substituição.26

No final dos anos 1960 e 1970 houve uma reversão da trajetória declinante da taxa de mortalidade na URSS e foi especialmente notável entre os homens em idade de trabalho, mas também foi predominante na Rússia e em outras áreas predominantemente eslavas do país.27 Uma análise dos dados oficiais do final dos anos 1980 mostrou que, após uma piora no final dos anos 1970 e início dos anos 1980, a mortalidade de adultos começou a melhorar novamente.28 A taxa de mortalidade infantil aumentou de 24,7 em 1970 para 27,9 em 1974. Alguns pesquisadores consideraram o aumento como uma consequência da piora nas condições de saúde e serviços.29 Os aumentos nas taxas de mortalidade infantil e de adultos não foram explicadas ou defendidas por oficiais soviéticos e o governo da URSS simplesmente parou de publicar todas as estatísticas de mortalidade por dez anos. Demógrafos e especialistas soviéticos em saúde permaneceram em silêncio sobre o aumento de mortalidade até o final da década de 1980, quando a publicação dos dados de mortalidade foram retomados e os pesquisadores puderam aprofundar as causas reais do fenômeno.30
Nacionalidades
Ver artigo principal: Soviéticos
Este mapa mostra a localização geográfica de 1974 vários grupos étnicos dentro da União Soviética.

O estado extensa multinacionais que os comunistas herdaram após a sua Revolução, que foi criado pela expansão czarista por quase quatro séculos. Alguns grupos de nações aderiram voluntariamente ao Estado, mas a maioria foram anexados à força. Os antagonismos nacionais desenvolvidos ao longo dos anos não se dirigiam só contra os russos, mas algumas vezes surgiram entre outras nações da União Soviética.

Por quase setenta anos, os líderes soviéticos tinham mantido que o atrito entre as muitas nacionalidades da União Soviética tinha sido erradicada e que a União Soviética era uma família de nações que vivem harmoniosamente (ver: Commissariado do Povo para as Nacionalidades). No entanto, o fermento nacional que abalou todos os cantos da União Soviética, na década de 1980 provou que setenta anos de regime comunista haviam falhado na erradicação das diferenças étnicas e nacionais e que as culturas e as religiões tradicionais reemergeriam à menor oportunidade. Esta realidade enfrentada por Gorbachev e seus colegas significava que, dada a baixa confiança no uso tradicional da força, teve de encontrar soluções alternativas para evitar o colapso da União Soviética.

As concessões atribuídas culturas nacionais e a autonomia limitada tolerada nas repúblicas da União durante o ano de 1920 levou ao desenvolvimento das elites nacionais e um senso de identidade nacional. A repressão posterior e a Russificação provocou ressentimento contra a dominação por parte de Moscovo e promoveu um maior crescimento da consciência nacional. Sentimentos nacionais foram exacerbadas no Estado soviético multinacional do aumento da concorrência por recursos, serviços e obras.
Religião
Ver artigo principal: Religião na União Soviética
Ver também: Estado ateu
Demolição da Catedral de Cristo Salvador de Moscou em 1931.

A URSS desde 1922 tornou-se um Estado ateísta. Em 1934, 28% das igrejas ortodoxas cristãs, 42% das mesquitas muçulmanas e 52% das sinagogas judaicas foram fechadas na URSS.31 O ateísmo na URSS era baseado na ideologia marxista-leninista. Tal como o fundador do Estado soviético, Lenin falou o seguinte sobre a URSS e as religiões:

A religião é o ópio do povo: este ditado de Marx é a pedra angular de toda a ideologia do marxismo sobre religião. Todas as modernas religiões e igrejas, todos (…) os tipos de organizações religiosas são sempre considerados pelo marxismo como órgãos de reação burguesa, usados para a proteção da exploração e o assombro da classe trabalhadora.32

O Marxismo-leninismo tem defendido firmemente o controle, repressão, e, em última análise, a eliminação das crenças religiosas. Dentro de cerca de um ano da revolução do estado expropriou todos os bens da Igreja, incluindo as próprias igrejas, e no período de 1922 a 1926, 28 bispos Ortodoxos Russos e mais de 1.200 sacerdotes foram mortos (um número muito maior foi objeto de perseguição).33

A Catedral de Cristo Salvador de Moscou, a sede da Igreja Ortodoxa Russa e seu templo mais sagrado, foi destruída em duas rodadas de explosões por ordens diretas de Stalin em 1931,34 milhares de sacerdotes protestaram contra a decisão e foram presos e enviados à Gulags, em seu lugar os comunistas pretendiam construir o “Palácio dos Sovietes”, a sede do governo stalinista35 . A Igreja Ortodoxa Russa possuía 54.000 paróquias durante a Primeira Guerra Mundial, que foi reduzida para 500 em 1940.33 A maioria dos seminários foram fechados, a publicação de escrita religiosa foi proibida.33 Embora historicamente a grande maioria da Rússia fosse cristã, apenas 17% a 22% da população é atualmente cristã.36

Os números oficiais sobre o número de crentes religiosos na União Soviética não estavam disponíveis em 1989. Mas de acordo com várias fontes soviéticos e ocidentais, cerca de um terço da população da União Soviética, estado oficialmente ateu, professa uma crença religiosa.[carece de fontes] O cristianismo e o islamismo estavam lutando pela maioria dos crentes. Cristãos dividiam-se em várias igrejas: ortodoxa, que teve o maior número de seguidores, a Igreja Católica, Batista e vários outros ramos protestantes. Havia muitas igrejas neste país (7.500 Igrejas Ortodoxas Russas em 1974). A maioria dos seguidores da fé islâmica era sunita. O judaísmo também teve muitos seguidores. Havia outras religiões praticadas por um número relativamente pequeno de fiéis, incluindo budismo lamaísmo e xamanismo (religião baseada em um espiritualismo primitivo). O papel da religião na vida quotidiana dos cidadãos soviéticos variava muito. Porque os preceitos religiosos islâmicos e os valores sociais de muçulmanos estão intimamente relacionados, a religião parece ter maior influência sobre os muçulmanos do que cristãos ou outros crentes. Dois terços da população soviética, porém, não tinha crenças religiosas. Cerca de metade das pessoas, incluindo membros do PCUS e altas autoridades em nível de governo eram ateístas. Portanto, para a maioria dos cidadãos soviéticos, a religião parecia irrelevante. Ainda assim, o Estado também passou a controlar as crenças dos russos e a perseguição religiosa sob o comando de Stálin fez com que muitos seguidores fossem perseguidos e enviados para Gulags.[carece de fontes] Política
Ver página anexa: Lista de líderes da União Soviética
Ver também: Partido Comunista da União Soviética
Líderes da União Soviética

Vladimir Lênin

1922 – 1924
Joseph Stalin

1924 – 1953
Nikita Khruschov

1953 – 1964
Leonid Brejnev

1964 – 1982
Iuri Andropov

1982 – 1984
Konstantin Chernenko

1984 – 1985
Mikhail Gorbatchov

1985 – 1991

O Kremlin de Moscou era a sede oficial do Soviete Supremo da União Soviética.

O governo da União Soviética implementava as decisões tomadas pela principal instituição política do país, o Partido Comunista da União Soviética (PCUS), que controlava toda a economia e a sociedade soviética. A constituição soviética estabelecia todas as instituições do governo e concedia aos cidadãos uma série de direitos políticos e civis. Uma casa legislativa, o Congresso dos Deputados do Povo, e sua comissão legislativa permanente, o Soviete Supremo, representavam o princípio da soberania popular. O Soviete Supremo, cujo presidente eleito servia de chefe de Estado, supervisionava o Conselho de Ministros, que exercia o poder Executivo. O presidente do Conselho de Ministros, cujo nome era aprovado pelo Soviete Supremo, por sua vez, atuava como chefe de Governo. O poder Judiciário, era formado por um sistema de tribunais encabeçado pela Suprema Corte. Conforme a Constituição Soviética de 1977, o governo possuía uma estrutura federativa, o que dava às repúblicas certa autonomia quanto à implementação de políticas, e oferecia às minorias nacionais uma aparente participação na administração de seus próprios assuntos.

Mas a partir dos anos 1980, o país começa a mudar radicalmente, com as reformas feitas por Mikhail Gorbatchov. No final dos anos 1980, o governo parecia ter muito em comum com os sistemas políticos das democracias liberais.
Relações internacionais e forças armadas
Ver artigo principal: Forças Armadas da União Soviética
Desfile militar anual em Moscovo, que comemora o aniversário 66 da Revolução de Outubro. O banner na parte superior se lê: “Glória ao PCUS!”

Desde a sua criação em 1922, a União Soviética sempre manteve uma política agressiva com os outros países do mundo (ver: ocupações soviéticas). Após a sua criação em 1922 ela passou cerca de 20 anos isolada do mundo pelos países capitalistas ocidentais. Após a Segunda Guerra Mundial a URSS emerge como superpotência mundial e controla um poderoso bloco socialista (ver: Império Soviético).

Durante a Guerra Fria as relações entre Estados Unidos e União Soviética se deterioram e somente a partir de 1985 é que começam as iniciativas eficazes de paz entre as duas superpotências. As relações entre a URSS e os seus países satélites na maioria das vezes foram de paz, mas houve países socialistas que acabaram saindo da área de influência de Moscou como China e Iugoslávia (ver: ruptura Tito-Stalin).

A União Soviética era membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, o país líder do Pacto de Varsóvia (aliança militar do bloco socialista) e membro do COMECON.

Além de desempenhar um papel decisivo nas relações internacionais nos tempos da Guerra Fria.

A União Soviética produziu equipamentos militares que são usados e reverenciados até os tempos atuais. Entre eles estão o fuzil AK-47 e o caça MiG-29. Deixou também uma grande quantidade de bombas atômicas à Federação Russa que especula-se manter em estoque 37 ogivas apenas herdadas do regime soviético. A estrutura física militar da Russia é em sua maioria também herdada do antigo regime. Deixou também muita sucata o que levanta debates em ecologistas em como armas químicas e biológicas são dispensadas no meio ambiente.

A URSS sempre foi uma potência militar, seu Exército, foi o responsável pelo suicídio de Adolf Hitler e por grande parte das exterminações dos nazistas na 2ª Guerra Mundial.

Depois da Segunda Guerra Mundial, o Exército Vermelho foi o eixo do Pacto de Varsóvia, a organização militar de defesa mútua integrada pelos países do Bloco Socialista no Leste Europeu. O armamento nuclear soviético aumentou proporcionalmente ao dos americanos.

Depois de derrubado o regime soviético, em 1991, o Exército Vermelho foi desmantelado e desapareceu como tal. No entanto, o atual Exército da Federação Russa ainda utiliza muitos dos símbolos da organização do Exército Vermelho da União Soviética.
Divisões políticas
Ver artigo principal: Repúblicas da União Soviética
Ver também: Ex-repúblicas soviéticas

Constitucionalmente, a União Soviética era uma federação das Repúblicas Socialistas Soviéticas (RSSs) e da República Socialista Federativa Soviética Russa (RSFSR), embora a regra do altamente centralizado Partido Comunista soviético fez federalismo meramente nominal.

O Tratado sobre a criação de a URSS foi assinado em dezembro de 1922 por quatro repúblicas da fundação, a RSS da Rússia, RSS da Transcaucásia, RSS ucraniano e bielo-russa RSS.

Em 1924, durante a delimitação nacional na Ásia Central, o Uzbequistão e o Turcomenistão SSRs foram formadas a partir de partes do Turquestão do RSFSR de ASSR e duas dependências Soviética, a Khorezm e SSR Bukharan. Em 1929, o Tadjiquistão foi dividido a partir da RSS do Usbequistão. Com a Constituição de 1936, os constituintes da República Socialista Federativa Soviética da Transcaucásia, ou seja, da Geórgia, Arménia e Azerbaijão SSRs, foi elevada à repúblicas da União, enquanto o Cazaquistão e Quirquiatão foram separados da República Soviética da Rússia.

Em agosto de 1940 a União Soviética formou o RSS da Moldávia a partir de partes da RSS da Ucrânia e partes da Bessarábia anexou da Roménia, bem como anexo os Estados bálticos, a Estónia, Letónia e da Lituânia. O SSR Carélia Finlandesa, foi dividido a partir do RSFSR março 1940 e incorporada em 1956.

Entre julho 1956 e setembro de 1991, havia 15 repúblicas na União Soviética

Economia
Mais informações: Colapso econômico da União Soviética
Nota de um rublo da União Soviética (1961)

Antes de 1917, a União Soviética era essencialmente uma região agrícola. Tinha muitos recursos naturais, mas não estava equipada para pôr em prática os planos de Lenin para a implantação do socialismo. Mesmo por que o país estava totalmente arrasado por causa da revolução e da guerra civil. Lenin implementou a Nova Política Econômica (NEP), que recuperou alguns traços de capitalismo para incentivar a nascente economia soviética. Após a morte de Lenin e a subida de Josef Stalin no poder da URSS a NEP foi extinta e a economia nacionalizada totalmente. Após as nacionalizações, a economia foi planificada, de modo a que esta pudesse tirar proveito da sua nacionalização. De 5 em 5 anos passou-se a realizar planos quinquenais, nos quais se decidiam que fundos seriam aplicados e em que áreas.

Após 1945 a URSS iniciou um surto de progresso econômico e nas décadas de 50, 60, 70 e 80 a economia soviética era a segunda maior economia do planeta atrás apenas dos Estados Unidos. Entretanto, esse surto econômico da URSS durou até a década de 70. Durante toda a década de 70 a economia soviética se mostrou estagnada. Em 1980 a economia soviética estava em crise, que perdurou até o seu fim em 1991. Em 1985 surge a perestroika e a glasnost, programas de reformas feitos pelo então presidente soviético Mikhail Gorbatchov. Essas reformas visavam reestruturar a URSS tanto na economia quanto na sociedade. Mas os efeitos foram contrários do que Gorbatchov previu e essas reformas acabaram por levar a URSS ao seu fim irreversível, em 1991.

A economia da União Soviética foi uma controlada pelo governo, de economia planificada, onde o governo controlava os preços ea troca de moeda. Assim, seu papel era diferente do de uma moeda em uma economia de mercado, porque a distribuição dos produtos era controlada por mecanismos que não a moeda. Apenas um conjunto limitado de produtos podem ser comprados livremente, assim, o rublo tinha um papel semelhante ao figurinhas ou selos de alimentos. A moeda não foi internacionalmente trocável e sua exportação era ilegal. A súbita transformação de uma “não-soviética” moeda em uma moeda do mercado contribuiu para as dificuldades econômicas após o colapso da economia soviética planejada.

A URSS sublinhava sempre a sua natureza comunista. Toda a produção, comércio, serviços, ação social, desportos e a maioria da habitação urbana estavam nas mãos do Estado. Os soviéticos, segundo dados de 1990, usufruíam de um rendimento anual per capita de 9 211 US$. A União Soviética estava em crise econômica, mas ainda tinha uma economia poderosa. O seu PIB em 1990 foi de 2,6 trilhões de dólares.
Agricultura

A agricultura foi organizada em um sistema de fazendas coletivas (kolkhozes) e as fazendas estatais (sovkhozes). Organizado em grande escala e altamente mecanizada, a União Soviética foi um dos principais produtores mundiais de cereais, embora as más colheitas (como em 1972 e 1975) tiveram que fazer importações necessárias e isso retardou a economia. O plano 1976-1980 de cinco anos transferiu recursos para a agricultura, e em 1978 viu uma safra recorde seguida por outra queda na produção global em 1979 e 1980 de volta aos níveis atingidos em 1975. Beterraba, algodão, açúcar, batata, e o linho foram as principais culturas.
O primeiro trator apresenta um Realismo Socialista de mecanização do país, no começo dos anos 1930.

No entanto, apesar dos recursos, da terra imensa, máquinas extensa e indústrias químicas, e uma grande força de trabalho rural, a agricultura soviética era relativamente improdutiva, dificultada em muitas áreas, pelo clima (apenas 10% das terras da União Soviética eram aráveis) E a produtividade dos trabalhadores era pobre, já que a colectivização era da década de 1930. Falta de infra-estrutura de transportes também causou muito desperdício.

Uma visão do fraco desempenho dos soviéticos fazendas coletivas é assegurada por dois historiadores, M. Heller e A. Nekich. Os autores relatam que, em 1979, 28% da produção agrícola da União Soviética foi a partir de pequenas parcelas de cidadãos privados, o que representou menos de 1% da terra cultivada. Assim, segundo eles, fazendas coletivas eram muito ineficientes.

As condições eram melhores na faixa de clima temperado e da terra preta que se estende do sul da Rússia através da Ucrânia para o oeste, abrangendo as porções do extremo sul da Sibéria.
Energia
Além do petróleo e do gás natural, a URSS também tinha uma enorme rede de usinas hidrelétricas.

As fontes energéticas da União Soviética eram abundantes durante toda a vida do país, que foi praticamente uma nação auto-suficiente em energia. O desenvolvimento do setor de energia começou com a política da autarquia de Josef Stalin. Durante os 70 anos de existência do país, a principal maneira de garantir o crescimento econômico foi o investimento na exploração dos recursos naturais; no entanto, na década de 1960 este método mostrou-se menos eficiente. Em contraste com outras nações que compartilhavam a mesma experiência, a inovação tecnológica não era forte o suficiente para substituir o sector da energia em importância. Durante os anos seguintes, o mais notável durante a estagnação de Brejnev, as autoridades soviéticas explorando combustíveis e matérias-primas provenientes de áreas interiores, principalmente da Sibéria, esqueceram dos problemas econômicos do país.

A construção da indústria nesses locais exigia uma entrada maciça de dinheiro, pelo regime soviético, o que não era possível e foi uma parte das causas principais da crise na URSS e do seu futuro colapso.

Os recursos energéticos ainda eram a espinha dorsal da economia soviética na década de 1970, como pode ser visto durante a crise do petróleo de 1973, que valorizou os recursos energéticos soviéticos. Os altos preços dos recursos energéticos no rescaldo da crise do petróleo de 1973, levou as autoridades soviéticas a participar mais activamente no comércio exterior com os países do Primeiro Mundo. Em troca de recursos energéticos, os soviéticos iriam receber conquistas tecnológicas do Primeiro Mundo. Para tanto, sob Leonid Brezhnev, a União Soviética deixou de ser uma economia isolada, para ser um país que tenta se integrar no mercado mundial.
Infraestrutura
Educação
Alunos soviéticos, saindo da escola.

Antes de 1917, a educação não era livre e só foi fornecida à nobreza. Estimativas de 1917 eram de que 75-85% da população russa era analfabeta. Anatoly Lunacharsky tornou-se o primeiro Narkompros (Comissariado do Povo para a Educação da Rússia Soviética). No início, as autoridades soviéticas colocado grande ênfase na eliminação do analfabetismo, portanto, pessoas que foram alfabetizadas foram automaticamente contratados como professores. Por um curto período de tempo, a qualidade foi sacrificada pela quantidade. Em se livrar do analfabetismo, as autoridades soviéticas foram bem sucedidos, e por volta de 1940, Josef Stalin podia anunciar que o analfabetismo tinha sido eliminado. No rescaldo da Grande Guerra Patriótica do sistema educacional do país expandiu-se dramaticamente. Essa expansão teve um efeito tremendo na década de 1960 quase todas as crianças soviéticas tinham acesso à educação, sendo a única excepção as crianças que vivem em áreas remotas. Nikita Khrushchev tentou melhorar a educação, tornando-a mais acessível e deixando claro aos filhos que a educação era intimamente ligado às necessidades da sociedade. A educação também se tornou uma característica importante na criação do Novo Homem Soviético.37 (ver também: Homo sovieticus)

A educação era gratuita para todos na União Soviética. A acessibilidade para os cidadãos soviéticos para o ensino primário, secundário e técnico foram aproximadamente o mesmo que os Estados Unidos.38
Transportes

Transportes da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) era uma parte importante da economia da nação. A centralização econômica do final dos anos 1920 e 1930 levou ao desenvolvimento de infra-estruturas em larga escala e, ao mesmo tempo, ele avançou em ritmo acelerado. Antes do colapso da União Soviética em 1991, houve uma grande variedade de modos de transporte por terra, água e ar. No entanto, as políticas do governo, antes, durante e depois da era da estagnação (Anos 1970), o investimento em transportes eram baixos. A rede ferroviária foi o maior e mais intensamente utilizadas no mundo. Ao mesmo tempo, era mais desenvolvida do que a maioria de suas contrapartes no Primeiro Mundo.
Um barco de transporte de mercadorias em um Canal de Moscou.

No final dos anos 1970 e início dos anos 1980 os economistas soviéticos estavam sendo chamandos para a construção de mais estradas para aliviar um pouco os gastos com o ferro e para melhorar o orçamento do Estado. A indústria da aviação civil, representada pela Aeroflot, era o maior do mundo, mas tinha carências, que permaneceram até o colapso da URSS. A rede de estradas permaneceu subdesenvolvida, e estradas de terra foram os locais mais comuns fora das cidades principais, ao mesmo tempo, o atendimento das poucas estradas que tinham eram muito mal equipado para lidar com este problema crescente. No final da década de 1980, após a morte de Leonid Brejnev, os seus sucessores tentaram, sem sucesso, resolver esses problemas. Ao mesmo tempo, a indústria automobilística estava crescendo a uma taxa mais rápida do que a construção de novas estradas. Em meados da década de 1970, apenas 8% da população soviética possuía um carro.

Apesar das melhorias, vários aspectos do sector dos transportes ainda estavam cheias de problemas devido às infra-estruturas obsoletas, falta de investimento, a corrupção e a má decisão por parte das autoridades centrais. A demanda por infra-estrutura de transportes e serviços foi aumentando, as autoridades soviéticas mostraram-se incapazes de atender à crescente demanda do povo. A rede rodoviária soviética, em péssimo estado, em uma reação em cadeia, levou a uma crescente demanda por transporte público. A frota comerciante da nação era uma das maiores do mundo.
Ciência e tecnologia
Um selo soviético mostrando a órbita do Sputnik 1.

Na União Soviética, a ciência e a tecnologia serviram como uma parte importante da política nacional. Desde a época de Lênin até a dissolução da URSS no início de 1990, tanto a ciência e a tecnologia estavam intimamente ligados à ideologia e a prática do funcionamento do Estado soviético, e foram perseguidos por caminhos semelhantes, e ambos os distintos modelos de outros países. Muitos grandes cientistas, que trabalharam na Rússia Imperial (como, por exemplo, Konstantin Tsiolkovsky), continuou a trabalhar na URSS e deu à luz a ciência soviética.

Marcado por uma ciência altamente desenvolvida e inovação no nível teórico, a interpretação ea aplicação ficou aquém. Biologia, química, ciência dos materiais, matemática e física, foram os campos nos quais os cidadãos soviéticos tinham se destacado. A ciência foi enfatizada em todos os níveis da educação, e um grande número de engenheiros eram formados a cada ano.

O governo soviético fez o desenvolvimento e avanço da ciência uma prioridade nacional e regavam os melhores cientistas com honras. Embora nas ciências era menos rigorosa a censura, do que outras áreas como a arte, vários foram os exemplos de repressão de ideias.

Os cientistas soviéticos ganharam reconhecimento em diversas áreas. Eles estavam na vanguarda da ciência em áreas como matemática e em diversos ramos da ciência física, nomeadamente teóricos da física nuclear, química e astronomia. O físico-químico e físico Nikolay Semenov foi o primeiro cidadão soviético a ganhar um Prêmio Nobel, em 1956.

A tecnologia soviética foi mais desenvolvida nos campos da física nuclear, onde a corrida armamentista com o Ocidente, os decisores políticos convencidos a reservar recursos suficientes para a investigação. Devido a um programa intensivo dirigido por Igor Kurchatov, a União Soviética foi a segunda nação de desenvolver uma bomba atômica, em 1949, quatro anos após os Estados Unidos. A União Soviética detonou uma bomba de hidrogênio, em 1953, apenas dez meses depois dos Estados Unidos. A exploração espacial também foi altamente desenvolvidos: em outubro de 1957 a União Soviética lançou o primeiro satélite artificial, o Sputnik 1, em órbita, em abril de 1961 um cosmonauta russo, Yuri Gagarin tornou-se o primeiro homem no espaço. Os soviéticos mantiveram um programa espacial forte até que os problemas econômicos levaram a cortes na década de 1980.
Cultura
Parte da série sobre a
União Soviética
Coat of arms of the Soviet Union.svg
Política[Expandir] Ideologia[Expandir] Economia[Expandir] História[Expandir] Forças Armadas[Expandir] Vida[Expandir] Repressão política[Expandir] v • e
Ver artigo principal: Cultura da União Soviética

A cultura da União Soviética passou por diversas fases durante a sua existência de 70 anos. Durante os primeiros onze anos depois da Revolução (1918-1929), houve uma relativa liberdade e artistas experimentaram vários estilos diferentes, em um esforço para encontrar um estilo distinto soviética da arte. Lenin queria que a arte fosse acessível ao povo russo.39

O governo incentivou uma série de tendências. Na arte e literatura, numerosas escolas, algumas tradicionais e outras radicalmente experimentais, proliferaram. Comunistas escritores como Máximo Gorki e Vladimir Mayakovsky eram ativos durante este tempo. Filmes, como um meio de influenciar uma sociedade iletrada, receberam o incentivo do Estado; muito das melhores datas diretor Serguei Eisenstein de trabalho deste período.

Mais tarde, durante o governo de Josef Stalin, a cultura soviética foi caracterizada pela ascensão e dominação do governo que impôs o estilo do realismo socialista, com todas as outras tendências a ser duramente reprimidas, com raras exceções (por exemplo, obras de Mikhail Bulgákov). Muitos autores foram presos e mortos.40 Além disso, os religiosos foram perseguidos e enviados para gulags ou foram assassinados aos milhares. A proibição da Igreja Ortodoxa foi temporariamente suspensa em 1940, a fim de conseguir apoio para a guerra soviética contra as forças invasoras da Alemanha. Sob Stalin, símbolos de destaque, que não estavam em conformidade com a ideologia comunista foram destruídos, tais como igrejas ortodoxas e edifícios czarista.

Seguindo o Degelo de Kruschev no final dos anos 1950 e início dos anos 1960, a censura foi diminuída. Maior experimentação de formas de arte tornou-se admissível uma vez, com o resultado que mais sofisticado e sutil trabalho crítico começou a ser produzido. O regime de solta a sua ênfase no realismo socialista, assim, por exemplo, muitos protagonistas dos romances do autor Yury Trifonov se preocupado com os problemas da vida cotidiana em vez de construir o socialismo. Uma literatura underground dissidente, conhecido como samizdat, desenvolvido durante este período de atraso. Na arquitetura da era Kruchev principalmente com foco em design funcionalista em oposição ao estilo altamente decorados de época de Stalin.

Na segunda metade da década de 1980, as políticas de Gorbachev da perestroika e da glasnost expandiu significativamente a liberdade de expressão nos meios de comunicação e imprensa, acabou resultando na eliminação completa da censura, a liberdade total de expressão ea liberdade para criticar o governo

A História da Federação Russa inicia-se com a sua independência após a dissolução da União Soviética em dezembro de 1991. A Rússia era a maior das 15 repúblicas que formavam a União Soviética, acumulava mais de 60% do PIB e mais da metade da população. Os russos dominaram o exército soviético e o Partido Comunista. Assim, a Rússia foi amplamente aceita como o estado sucessor da ex-URSS nos assuntos diplomáticos e torno-se membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Apesar dessa aceitação, a Rússia pós-soviética carecia do poder militar, político e econômico da URSS. A Rússia conseguiu fazer com que as ex-repúblicas soviéticas entregassem voluntariamente as armas nucleares, concentrando-as assim sob o comando da força aérea ainda ativa, mas a maioria do exército e marinha russa foram imersas na confusão em 1991. Antes da dissolução formal da União Soviética, Boris Iéltsin é eleito presidente da Rússia em Junho de 1991 na primeira eleição direta presidencial na história russa. Em outubro de 1991, quando a Rússia estava à beira da independência, Iéltsin anunciou que o país iria avançar com uma reforma radical rumo a uma economia de mercado ao longo das linhas do “big bang” polaco, também conhecido como terapia de choque.

Hoje, a Rússia ainda tem um pouco da cultura política e estrutura social de seu passado soviético.

O desmantelamento do comunismo
Terapia de choque
Boris Iéltsin.

A conversão da maior economia do mundo controlada por um Estado em uma economia de mercado foi extremamente difícil, independentemente das políticas escolhidas. As políticas escolhidas para essa transição foram estabilização, liberalização e privatização. Essas políticas foram baseadas no programa neoliberal do “Consenso de Washington”, do FMI, do Banco Mundial e do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.

Os programas de liberalização e estabilização foram desenhados pelo vice-primeiro-ministro de Ieltsin, Yegor Gaidar, um economista liberal de 35 anos inclinado para uma reforma radical e bem conhecido como um defensor da “terapia de choque”. Uma terapia de choque começou dias após a dissolução da União Soviética, quando a 2 de janeiro de 1992, o presidente russo Boris Iéltsin ordenou a liberalização do comércio exterior, os preços e a moeda. Isso levou à eliminação dos controles de preços da Era Soviética, a fim de trazer bens para as reservas vazias da Rússia. Fez-se desaparecer as barreiras legais ao mercado privado e a fabricação, e reduziu os subsídios às explorações agrícolas do estado e das indústrias, permitindo importações estrangeiras para o mercado russo, tentando assim quebrar o poder dos monopólios estatais locais.

Os resultados parciais de liberalização (a remoção dos controles de preços) levaram ao agravamento da hiperinflação (depois que o Banco Central, órgão sob o controle do parlamento, que era cético em relação as reformas de Ieltsin, não tinha dinheiro e renda para financiar a sua dívida) e grande parte da indústria russa estava à beira da falência.

O processo de liberalização iria criar vencedores e perdedores, dependendo em qual posição estava organizado os diversos setores industriais, as classes sociais, faixas etárias, grupos étnicos, regiões e outros setores da sociedade russa. Alguns se beneficiaram da abertura à concorrência, enquanto outros foram duramente atingidos. Entre os vencedores, estava a nova classe de empresários e comerciantes do mercado negro que tinham surgido sob a perestroika de Mikhail Gorbachev. Mas a liberalização dos preços fez com que os idosos e outras pessoas com rendas fixas sofressem um declínio acentuado nos padrões de vida, e muitas pessoas veriam uma vida inteira de poupança exterminada.

Com a inflação a taxas de dois dígitos por mês, a estabilização da macroeconomia foi caracterizada por controlar esta tendência. A estabilização, também chamada de ajuste estrutural, foi um regime de rigorosa austeridade (política monetária apertada e uma política fiscal para a economia, que o governo procurou controlar a inflação). No âmbito do programa de estabilização, o governo permitiu que muitos preços flutuassem, as taxas de juros subiram para níveis recordes, os novos impostos aumentaram fortemente, cortou drasticamente os subsídios do governo para a indústria e construção, e fez cortes maciços nos gastos do estado destinados para o bem-estar. Estas políticas causaram privação generalizada, já que muitas empresas estatais ficaram sem financiamento. Muitas indústrias foram fechadas e houve uma grande depressão.

A base do programa era de reduzir as pressões inflacionárias inerentes a tal forma que os produtores teriam de começar a tomar decisões razoáveis em matéria de produção, preços e investimentos ao invés de utilizar recursos em excesso (um problema cujo resultado foi a escassez de bens de consumo na União Soviética nos anos 1980). Os reformadores tinham a intenção de criar uma estrutura de incentivos da economia onde a eficiência e o risco foram recompensados e o desperdício e negligência seriam penalizados. Eliminando as causas da inflação crônica, os arquitetos da reforma preconizavam que era um pré-requisito para todas as outras reformas: a hiperinflação arruinaria a democracia e o progresso econômico. Alegaram também que só através da estabilização do orçamento do Estado faria com que o governo continuasse a desmantelar a economia planificada soviética e criar uma nova Rússia capitalista.
Depressão econômica e decadência social
Economia russa desde a queda da União Soviética.

A economia russa afundou em uma profunda depressão em meados dos anos 1990, que se tornou maior, devido ao colapso de 1998, e começou a se recuperar entre 1999-2000. O declínio da economia russa foi mais grave que a Grande Depressão nos Estados Unidos em termos de Produto Interno Bruto.1 , que quase paralisou o capitalismo mundial depois de 1929. Isso é quase metade da grave queda catastrófica após a Primeira Guerra Mundial, a queda do czarismo e a Guerra Civil Russa2

A consequência mais importante da reforma econômica foi o aumento acentuado nas taxas de pobreza e desigualdade econômica, que cresceram consideravelmente desde o fim da era soviética .3 Estimativas do Banco Mundial com base em dados macroeconômicos e levantamentos de rendimentos e despesas familiares indicaram que, embora em 1988 apenas 1,5% da população vivia em situação de pobreza (definida com rendimentos abaixo do equivalente a US$ 25 por mês), em meados de 1993, se situava entre 39% e 49% da população vivendo na pobreza..4 O rendimento médio mensal domiciliar per capita caiu de $72 a $32. A renda per capita caiu mais 15% em 1998, segundo dados do governo.

Os indicadores de saúde pública mostraram um declínio dramático. Em 1999, a população total caiu cerca de três quartos de um milhão de pessoas. Enquanto isso, a expectativa de vida dos homens caiu de 64 em 1990 para 57 em 1994 e das mulheres de 75 a 71. Os fatores de saúde e o aumento do número de mortes não naturais (como homicídios, suicídios e acidentes causados por um aumento do desrespeito à segurança), principalmente nos jovens contribuiu para esta tendência. Em 2004, a expectativa de vida foi maior do que depois da crise em 1994, mas ainda permaneceu abaixo do nível de 1990.

As mortes relacionadas ao alcoolismo aumentaram 60% em 1990. Mortes por doenças infecciosas e parasitárias cresceram 100%, principalmente porque os medicamentos não estavam mais acessíveis para os pobres. Atualmente, existem aproximadamente 1,5 vezes mais mortes do que nascimentos por ano na Rússia.

Embora a escassez da oferta de bens de consumo característico da década de 1980 deixou de existir, não só devido à abertura do mercado russo às importações no início dos anos 1990, mas também devido ao empobrecimento da população russa na década de 1990. Os russos em rendas fixas (a grande maioria dos trabalhadores), viram seu poder aquisitivo reduzido drasticamente, de modo que não podiam comprar quase nada.

Em 2008, a renda média subiu para mais de US$ 600 por mês, em evidência da ligeira recuperação nos últimos anos graças principalmente aos altos preços do petróleo. Mas o aumento da renda não está sendo distribuído uniformemente. As desigualdades sociais aumentaram fortemente durante a década de 1990 com o Coeficiente de Gini, por exemplo, que atingiu 40%.5 . As diferenças de renda na Rússia são quase tão grandes como as do Brasil, que têm sido o líder mundial em termos de desigualdades, e essas disparidades econômicas regionais no nível de pobreza ainda seguem crescendo consideravelmente.
Reação contra a reforma

A reforma estrutural diminuiu o padrão de vida para muitos grupos da população. Por isso, criou uma forte oposição política. A democratização abriu os canais políticos que permitiram que a frustração baixasse, de modo que se transformou em votos para os candidatos anti-reforma, em especial para o Partido Comunista da Federação Russa e seus aliados no parlamento. Os eleitores russos capazes de votar em partidos de oposição nos anos 1990, muitas vezes rejeitaram as reformas econômicas e ansiavam pela estabilidade e segurança pessoal da era soviética. Foram grupos em que naquela época tinham aproveitado os benefícios do controle do salário e do controle de preços pelo Estado, os altos custos para subsidiar certos setores da economia, a proteção da concorrência de empresas estrangeiras, e programas de assistência social.

Durante os anos de Iéltsin na década de 1990, esses grupos estavam bem organizados, declararam a sua oposição às reformas através de sindicatos fortes, associações de diretores de empresas estatais, e grupos políticos cujos principais constituintes estavam entre os mais vulneráveis a reforma. Um tema constante na história da Rússia nos anos 1990 foi o conflito entre reformadores econômicos e aqueles que eram hostis ao novo capitalismo.
Reforma por decreto

Em 2 de janeiro de 1992, Iéltsin, atuando como seu próprio primeiro-ministro, aprovou por decreto os aspectos mais controversos da reforma econômica, contornando assim o Soviete Supremo da Rússia e o Congresso dos Deputados do Povo, que foram eleitos em Junho de 1991, antes da dissolução da União Soviética. Isto salvou Iéltsin de ter que discutir e acordar sobre as perspectivas dos parlamentares, e acabou com as esperanças de qualquer conversa significativa sobre o caminho que deveria tomar o país. Em retrospecto, além do grande preço pago pelos russos por causa dessas decisões autoritárias, estas nem seguer ajudaram o país na transição para economia de mercado.

Em qualquer caso, a reforma radical teve que enfrentar algumas críticas barreiras políticas. Na era soviética, o Banco Central ainda era subordinado ao conservador Soviete Supremo em oposição à presidência. No auge da hiperinflação nos anos 1992-1993, o Banco Central tentou realmente atrapalhar as reformas com a impressão de dinheiro em um período inflacionário. Afinal, o governo russo ficou curto de receitas e foi obrigado a imprimir dinheiro para financiar sua dívida. Como resultado, a inflação tornou-se uma hiperinflação, e a economia russa prosseguiu em uma grave recessão.
Confronto de poderes, 1993-1996
A crise constitucional de 1993
Ver artigo principal: Crise constitucional russa de 1993
Alexander Rutskoi.

A luta para o centro do poder na Rússia pós-soviética e a natureza das reformas econômicas culminaram com uma crise política e derramamento de sangue de 1993. A Iéltsin, que representava a privatização radical, estava em oposição o parlamento. Confrontado com a oposição e ameaçado de impeachment, Iéltsin “dissolveu” o parlamento, no que poderia ser descrito como um golpe de Estado em 21 de setembro e ordenou novas eleições e um referendo sobre uma nova Constituição. O parlamento declarou Iéltsin fora de seu cargo e Aleksandr Rutskoi foi nomeado como presidente no dia 22 de Setembro. A tensão cresceu rapidamente e os problemas vieram à tona após os motins nas ruas de 2 e 3 de Outubro. Em 4 de outubro, Iéltsin ordenou que as forças especiais e de elite do Exército tomasse o edifício do parlamento, a “Casa Branca”, como era conhecido. Com tanques opondo as poucas armas de fogo dos defensores parlamentares, e uma multidão de manifestantes desarmados, não houve dúvidas sobre o resultado. Rutskoi, Ruslan Khasbulatov e outros parlamentares se renderam e foram imediatamente detidos e encarcerados. Números oficiais apontam 187 mortos e 437 feridos (com vários homens mortos e feridos do lado do presidente).

Assim, o período de transição da era pós-soviética chegou ao fim. Aprovou-se uma nova Constituição por referendo em dezembro de 1993. A Rússia começou a ter um forte sistema presidencial. A privatização Radical continuou. Os ex-líderes parlamentares foram libertados sem julgamento em 26 de fevereiro de 1994, mas recusaram-se a realizar um papel político mais tarde. Apesar de seus confrontos com o executivo retomaram eventualmente, os poderes do restaurado parlamento russo reforçou-se consideravelmente.
Primeira Guerra da Chechênia
Ver artigo principal: Primeira Guerra da Chechênia
Um helicóptero russo aterrissando em Grozni em dezembro de 1994.

Em 1994, Iéltsin enviou 40.000 soldados para impedir que a Chechênia, região produtora de petróleo localizada no Cáucaso, se separa-se da Rússia. Os chechenos, que viviam a 1.600 km ao sul de Moscou, e era predominantemente muçulmana, se gabava de séculos de ser capaz de desafiar os russos. Dzhokhar Dudayev, o Presidente Nacional da República da Chechênia, foi levado a tomar a sua república da Federação Russa e declarou a independência da Chechênia em 1991. A Rússia viu-se envolvida rapidamente em um atoleiro como os Estados Unidos na Guerra do Vietnã. Quando os russos atacaram a capital chechena de Grozny, durante as primeiras semanas de janeiro de 1995, cerca de 25.000 civis foram mortos durante os ataques aéreos e fogos de artilharia. O uso maciço de artilharia e ataques aéreos foi a estratégia dominante da campanha russa. Ainda assim, os rebeldes chechenos tomaram centenas de reféns russos, enquanto causam perdas humilhantes contra as tropas desmoralizadas e mal equipadas da Rússia. No final do ano, as tropas russas não tinham conseguido capturar a capital chechena.

Os russos finalmente conseguiram ganhar o controle de Grozny, em fevereiro de 1995, após uma dura batalha. Em agosto de 1996, Iéltsin concordou com um cessar-fogo com os líderes chechenos e um tratado de paz foi formalmente assinado em maio de 1997. No entanto, o conflito foi retomado em 1999, tornando assim o acordo de paz de 1997, sem sentido. Desta vez a revolta foi brutalmente esmagada por Vladimir Putin. Os separatistas chechenos continuam a exercer resistência à presença da Rússia até atualmente.
Os projetos de “empréstimos por ações” e a ascensão dos “oligarcas”
Ver artigo principal: Oligarcas russos

As novas oportunidades capitalistas apresentadas pela abertura da economia russa no final dos anos 1980 e início de 1990 afetaram os interesses de muitas pessoas. Enquanto o sistema soviético estava sendo desmontado, chefes bem colocados e tecnocratas do Partido Comunista, da KGB, e do Komsomol (Liga da Juventude Soviética) estavam lucrando com o seu poder e os privilégios que na era soviética. Alguns silenciosamente liquidaram os bens de sua organização e esconderam em contas no exterior as receitas e investimentos.6 Outras criaram bancos e outros negócios na Rússia, aproveitando as suas posições privilegiadas para ganhar contratos exclusivos com o governo e licenças para aquisição de créditos financeiros e materiais a preços artificialmente baixos, os subsidiados pelo estado, a fim de realizar negócios na alta dos preços, no valor de mercado. Grandes fortunas foram feitas quase de noite para o dia.

O programa de privatizações foi profundamente corrupto, desde o início. O mundo ocidental em geral defendeu um rápido desmantelamento da economia planificada da União Soviética para pavimentar o caminho para as “reformas de mercado livre”, mas mais tarde discordaram sobre o poder e a corrupção dos “oligarcas”. Alguns chamaram essa onda de botas “capitalismo nomenklatura”. Na época do governo de Iéltsin realizou-se reformas radicais, os “capitalistas nomenklatura” já haviam sido estabelecidos como poderoso.

Posteriormente, a privatização de empresas estatais deu a muitos daqueles que tinham enriquecido início dos anos 1990 uma oportunidade de converter seu dinheiro em ações de empresas privatizadas. O governo Iéltsin esperava usar a privatização para expandir tanto quanto possível, sua possessão de ações de antigas empresas estatais, obtendo, assim, apoio político para seu governo e suas reformas.

O governo usou um sistema de vouchers gratuitos como forma de dar o pontapé inicial da privatização em massa. Mas também permitiu que as pessoas comprassem participações em empresas privatizadas com dinheiro. O governo encerrou a fase de privatização voucher e começou a privatização do dinheiro, com a elaboração de um programa que acreditava que iria acelerar a privatização e, ao mesmo tempo dar o dinheiro que muito necessitava.

Segundo o plano, que rapidamente se tornou conhecido no Ocidente como “empréstimos de ações”, o regime de Iéltsin leiloava pacotes substanciais de ações de algumas das empresas mais desejáveis, tais como energia, telecomunicações e metalurgia como garantia para empréstimos bancários.

Em troca de empréstimos, Iéltsin frequentemente deu bens valiosos. Sob os termos dos acordos, se o governo Iéltsin não devolvesse o empréstimo em setembro de 1996, o credor poderia se tornar proprietário do título e poderia vendê-lo ou adquirir uma posição equivalente na empresa. O primeiro leilão ocorreu no outono de 1995. Normalmente feito de modo a limitar o número de propostas para ações dos bancos, conseguindo manter o preço das ações extremamente baixos. No verão de 1996, grandes pacotes de ações em algumas das maiores empresas russas haviam sido transferidas para um pequeno número de grandes bancos, que permitiu a estes poderosos bancos tornarem-se proprietários de um número significativo de ações de grandes empresas a preços surpreendentes baixos.

A concentração do imenso poder financeiro e industrial, que os empréstimos para as ações tinham assistido, foi estendido aos meios de comunicações de massa. Um dos mais proeminentes dos barões financeiros, Boris Berezovsky, que controlava grandes participações em diversos bancos e empresas, exerceu uma ampla influência sobre a programação de televisão estatal por um tempo. Berezovsky e outros poderosos e influentes magnatas, que controlavam esses grandes impérios de finanças, indústria, energia, telecomunicações e mídia se tornaram conhecidos como os “oligarcas russos”. Junto com Berezovsky, Mikhail Khodorkovski, Roman Abramovich, Vladimir Potanin, Vladimir Bogdanov, Rem Viakhirev, Vagit Alekperov, Viktor Chernomyrdin, Viktor Vekselberg, e Mikhail Fridman surgiram como oligarcas mais poderosos e importantes da Rússia.

Uma pequena camarilha que usaram suas conexões construídas durante os últimos anos da Era Soviética para saquear os vastos recursos da Rússia durante as privatizações selvagens dos anos Iéltsin, os oligarcas, emergiram como os homens mais odiados do país. O mundo ocidental em geral defendeu um rápido desmantelamento da economia planificada da União Soviética para abrir caminho para “reformas de livre mercado”, mas depois expressou desapontamento com o novo poder e a corrupção dos “oligarcas”. Hoje, na Rússia, os oligarcas controlam mais de 85% dos principais da empresas privadas da nação.

A corrupção abrange a área das relações sociais na nova Rússia. Hoje o que resta daqueles são os traficantes de drogas e os líderes do crime organizado (Ver também: Máfia Russa). Entre eles, está um pequeno exército de extorsistas que sairam das ruínas do sistema socialista.
A crise de 1998
Ver artigo principal: Crise russa de 1998
Colapso financeiro

A recessão mundial de 1998, que começou com a crise financeira asiática em julho de 1997, agravaram a crise econômica na Rússia. Dado o subseqüente declínio nos preços mundiais de materias-primas, principalmente das cidades dependentes de sua exportação (ou seja, de exportação de petróleo) estiveram entre as mais atingidas. O declínio acentuado dos preços do petróleo teve graves consequências para a Rússia. A crise política atingiu o pico em março, quando Iéltsin de repente demitiu o primeiro-ministro Viktor Chernomyrdin e todo o seu gabinete em 23 de março. Iéltsin nomeou como primeiro-ministro um tecnocrata praticamente desconhecido, o ministro de Energia, Sergei Kiriyenko de 35 anos. Em um esforço para apoiar a moeda e conter a perda de capital, Kiriyenko subiu as taxas de juros até 150%. O FMI aprovou um empréstimo de emergência de 22,6 bilhões de dólares em 13 de Julho. Apesar disso, os pagamentos de juros mensais na Rússia ainda era muito superior dos recursos fiscais mensais. Percebendo que a situação era insustentável, os investidores continuaram a fugir da Rússia. Semanas após, a crise financeira foi retomada quando o valor do rublo caiu novamente. Em 17 de agosto, o governo Kiriyenko e o banco central foram obrigados a suspender os pagamentos da dívida externa da Rússia por 90 dias, a reestruturação da dívida de toda a nação, e desvalorizar o rublo. O rublo iniciou uma queda livre, e os russos procuraram freneticamente comprar dólares. O investimento estrangeiro caiu para fora do país, e a crise financeira causou uma fuga de capitais sem precedentes na Rússia.
Crise Política

A crise financeira produziu uma crise política quando Iéltsin, e sem o apoio interno, se deparou com uma reforçada oposição encorajada no parlamento. Uma semana depois, em 23 de agosto, Iéltsin demitiu Kiriyenko e declarou sua intenção de pôr Chernomyrdin no cargo, já que o país estava caindo na mais profunda crise econômica. Os poderosos homens de negócios, temendo uma nova rodada de reformas que poderiam causar falências em empresas, contentaram com a queda de Kiriyenko, como fizeram os comunistas.

Iéltsin, que começou a perder o seu apoio e ver a sua saúde deteriorar-se, queria Chernomyrdin de volta, mas a assembleia legislativa não deu sua aprovação. Após o Duma rejeitar a candidatura de Chernomydin pela segunda vez, Iéltsin, vendo diminuído claramente seu poder, retrocedeu. Em vez disso, designou um ministro dos Negócios Estrangeiros Yevgeni Primakov, que foi aprovado esmagadoramente pela Duma, em 11 de setembro.

A nomeação de Primakov devolveu a estabilidade política, porque era visto como um candidato de consenso capaz de resolver as diferenças entre grupos opostos na Rússia. Primakov prometeu fazer o pagamento dos salários e pensões vencidas que foram a primeira prioridade do seu governo, e convidou os membros das várias facções parlamentares no seu gabinete.

Os sindicalistas e os comunistas fizeram uma greve geral a nível nacional em 7 de outubro e exigiram a renúncia do presidente Iéltsin. Em 9 de outubro, a Rússia, que também estava sofrendo de uma safra ruim, apelou para a ajuda humanitária internacional, incluindo a alimentos.
Recuperação

A Rússia recuperou-se do colapso financeiro de 1998 com uma velocidade incrível. A recuperação se deve principalmente ao rápido aumento no período de 1999-2000 dos preços mundiais do petróleo. Outra razão foi que as indústrias nacionais foram beneficiadas da desvalorização, o que provocou um aumento acentuado dos preços dos bens importados. Além disso, uma vez que a economia russa operava principalmente através da troca e outros meios de intercambio não-monetários, o colapso financeiro não teve um impacto tão grande em muitos produtores como poderia ter em uma economia dependente do sistema bancário. Finalmente, a economia foi ajudada por uma infusão de dinheiro, e as empresas puderam pagar as suas dívidas e taxas de preto, o que permitiu a demanda por bens de consumo e os serviços da indústria russa cresceram. Pela primeira vez em muitos anos, o desemprego em 2000 caiu, porque as empresas passaram a contratar trabalhadores.

No entanto, o equilíbrio político e social se manteve numa posição difícil ainda hoje. A economia segue sendo suscetível a queda se, por exemplo, os preços mundiais do petróleo sofrerem um declínio dramático.
Crise de sucessão, 1999-2000

Yevgeni Primakov não ficou muito tempo no cargo. A administração de Iéltsin começou a suspeitar que Primakov não estava usando uma política pró-ocidental, tornando-se popular, e despediu-o em maio de 1999, após apenas oito meses no cargo. Então, nomeou em seu lugar Sergei Stepashin, que tinha sido chefe do FSB (agência sucessora da KGB dos Assuntos Internos) e mais tarde, Ministro do Interior. A Duma confirmou a nomeação, na primeira votação por uma larga margem.

O mandato de Stephashin foi ainda menor do que Primakov. Em agosto de 1999, Iéltsin novamente indeferiu o primeiro-ministro e nomeou Vladimir Putin como candidato. Como Stephasin, Putin teve uma formação no serviço de inteligência, fez sua carreira no serviço exterior e mais tarde foi chefe do FSB. Iéltsin estava tão certo de que Putin continuaria a sua política que inclusive chegou a decidir que poderia ser seu sucessor como presidente. A Duma deu uma votação apertada para Putin.

Quando nomeado, Putin foi um político relativamente desconhecido, mas rapidamente se estabeleceu na opinião pública e na consideração de Iéltsin como um líder de governo no qual poderia confiar em grande parte devido à Segunda Guerra da Chechênia. Poucos dias depois que Iéltsin nomeou Putin como candidato a primeiro-ministro, as forças chechenas atacaram o exército russo no Daguestão, república autonoma da Rússia, perto da Chechênia. No mês seguinte, centenas de pessoas morreram quando foram explodidos edifícios de apartamentos em Moscou e outras cidades. Estes atos desumanos cometidos por terroristas chechenos. Em resposta, o exército russo entrou na Chechênia no final de setembro de 1999, iniciando a Segunda Guerra Chechena. Alarmados com os atos terroristas, a opinião pública apoiou amplamente a guerra. O apoio resultou na crescente popularidade de Putin, que planejou as operações decisivas no conflito.

Após o sucesso das forças políticas próximas de Putin nas eleições parlamentares de dezembro de 1999, Iéltsin confiava o suficiente em Putin que renunciou à presidência em 31 de dezembro, seis meses antes do término de seu mandato. Isso fez com que Putin atuasse como presidente e lhe deu uma grande oportunidade de se posicionar como favorito para a eleição presidencial russa de 2000, da qual obteve vitória. A guerra na Chechênia apareceu com destaque durante a campanha. Em fevereiro de 2000, as tropas russas entraram em Grozny, a capital chechena, e uma semana antes da eleição, Putin voou para a Chechênia em um avião de combate, declarando vitória.
Governo Putin, 2000-2008 e 2012-presente
Ver artigo principal: Putinismo
Vladimir Putin.

Em agosto de 2000, o submarino russo Kursk explodiu e afundou no Mar de Barents. A Rússia organizou uma vigorosa tentativa de salvar a tripulação, e todo o esforço foi completamente inútil e foi cercado por segredo profissional, sem explicação. Esta reação lenta para o evento e, especialmente, a ajuda externa oferecida para resgatar a tripulação, fez crescerem muitas críticas contra o governo e especificamente contra o presidente Putin.

Em 23 de outubro de 2002, terroristas chechenos tomaram o teatro Dubrovka, em Moscou. Mais de 700 pessoas foram feitas reféns no que foi chamado de a crise de reféns no teatro de Moscou. Os terroristas exigiam a retirada imediata das forças russas da Chechênia e ameaçaram explodir o prédio se as autoridades estivessem tentando entrar. Três dias depois, os comandos da Rússia tomaram em assalto o edifício depois que os reféns tinham sido reduzidos com gás, atirado contra os militantes que ficaram inconscientes. O gás, que as autoridades russas recusaram a identificar, foi identificada como a causa da morte de cerca de 115 reféns.

Depois do cerco do teatro, Putin começou com força renovada a tentar eliminar os insurgentes chechenos. (Para detalhes adicionais sobre a guerra da Chechênia sob a presidência de Putin, veja: Segunda Guerra da Chechênia). O governo cancelou a retirada prevista de tropas, cercou os campo de refugiados chechenos com soldados e aumentou a frequência ataques a posições separatistas.

Os militantes chechenos responderam na mesma moeda, acelerando as operações de guerrilha e ataques com mísseis a helicópteros federais. Em maio de 2004, os terroristas chechenos mataram Akhmad Kadirov, que foi eleito presidente da Chechênia em oito meses antes em uma eleição realizada pelas autoridades russas. Em 24 de agosto de 2004, dois aviões russos foram bombardeados. Este foi seguido pelo massacre na escola de Beslan, onde terroristas chechenos tomaram 1.300 reféns, incluindo crianças, pais e professores.

A política do governo neste período de luta contra a corrupção tem levado a várias investigações criminais de alguns oligarcas muito influentes (Vladimir Gusinsky, Boris Berezovsky e Mikhail Khodorkovski, em particular) que obtiveram grandes valores do Estado, de forma totalmente ilegal, durante o processo de privatização. Gusinsky e Berezovsky foram forçados a abandonar a Rússia, deixando parte dos seus recursos. Khodorkovski foi condenado por evasão fiscal e preso com a conseqüente perda de seus bens, incluindo a empresa YUKOS, a maior produtora de petróleo da Rússia. Ninguém pode afirmar que a posição de Putin é geralmente avessa aos oligarcas, pois também trabalha em estreita colaboração com outros oligarcas, como é o caso de Roman Abramovich.

Esses confrontos também levaram Putin a estabelecer o controle sobre os meios de comunicação, antes de possuído pelos oligarcas. Em 2001 e 2002, o canal de televisão NTV (anteriormente pertecente a Gusinsky), TV6 e TVS (pertencentes a Berezovsky) foram tomadas por grupos de comunicações leais a Putin. Contratos semelhantes aconteceram com a mídia impressa..7

O governo Putin exerce um controle significativo sobre os meios de comunicação sociais russos. Muitos editores e diretores estão dispostos a remover um artigo ou despedir um jornalista a um pedido informal da administração presidencial. Embora muitos dos problemas da era Iéltsin (como a guerra na Chechênia e as greves de pagamento de salários) ainda existem, agora os repórteres são “convidados” a ignorar ou minimizar, produzindo assim uma imagem positiva da Rússia.

A popularidade de Putin, que decorre de sua reputação como um líder forte e eficaz, permanece em contraste com a impopularidade de seu antecessor, mas depende de uma contínua recuperação econômica. Putin chegou ao poder em um momento ideal: após a desvalorização do rublo em 1998, que elevou a demanda por bens domésticos, enquanto os preços mundiais do petróleo cresciam. Com efeito, durante os sete anos de sua presidência, o PIB real cresceu em média 6,7% ao ano, a renda média aumentou 11% ao ano em termos reais, e um saldo positivo de forma consistente no orçamento federal permitiu que o governo cortasse 70% da dívida externa. Portanto, muitos atribuíram a ele a recuperação, mas a sua capacidade para resistir a uma queda na economia não foi comprovada. Putin ganhou as eleições presidenciais russas de 2004, sem qualquer concorrente significativo.

No segundo mandato do Presidente Putin, a Rússia aumentou consideravelmente o seu prestígio internacional e da sua economia, retornando ao seu status tradicional de potência mundial abandonado na última década, apesar do potencial bélico desastroso se manter praticamente inalterado. Muitos oligarcas que tinham tomado posse dos imensos recursos nas mãos da ex-república soviética foram eliminados do cenário econômico, recuperando o capital do estado, especialmente no gigante setor de energia. Várias empresas de petróleo e gás foram nacionalizadas, racionalizada como a Gazprom e posto uma grande confiança no serviço da política ambiciosa do Presidente.

Alguns pesquisadores afirmam que a maioria dos russos lamentam hoje a dissolução da União Soviética em 1991.8 Em várias ocasiões, incluindo Vladimir Putin – o sucessor nomeado por Boris Yeltsin – disse que a queda do governo soviético levou a poucos ganhos e muitos problemas para muitos cidadãos russos. Em um comício em fevereiro de 2004, por exemplo, Putin chamou o desmantelamento da União Soviética de uma “tragédia nacional em grande escala” que “apenas as elites e os nacionalistas aproveitaram”. E acrescentou: “Acho que os cidadãos comuns da antiga União Soviética e o espaço pós-soviético não ganharam nada com isso. Ao contrário, as pessoas tiveram que enfrentar muitos problemas.”9

O prestígio internacional de Putin sofreu um duro golpe para o Ocidente durante a disputada eleição presidencial ucraniana de 2004. Putin visitou a Ucrânia duas vezes antes das eleições para mostrar seu apoio ao candidato pró-russo Viktor Yanukovych contra o líder da oposição, Viktor Yushchenko, um economista liberal pró-ocidental. Putin também parabenizou Yanukovich, seguido logo depois pelo presidente bielorrusso Alexander Lukashenko, pela sua vitória antes que os resultados da eleição fossem oficiais10 e fez declarações se opondo a uma segunda volta da disputada eleição, Yanukovich venceu, em meio a denúncias de fraude em grande escala. A segunda rodada foi finalmente repetida; Yushchenko venceu a etapa e acabou por ser declarado o vencedor em 10 de janeiro de 2005. No Ocidente, a reação à movimentação da Rússia, ou talvez interferência, na eleição ucraniana evocaram ecos da Guerra Fria, mas as relações com os EUA mantiveram-se estáveis.

Em 2005, o governo russo substituiu as grandes benefícios em espécie era soviética, tais como transporte gratuito e subsídios para os grupos socialmente vulneráveis, através de pagamentos em dinheiro. A reforma, conhecida como monetização, tem sido impopulares e causaram uma onda de manifestações em várias cidades russas, com milhares de pessoas em protesto contra a perda de seus benefícios. Esta foi a primeira vez que uma onda de protestos ocorreram durante o governo Putin. A reforma enfraqueceu a popularidade do governo russo, mas Putin ainda é popular, pessoalmente, com índice de aprovação de 77%..11

Em 2008, a declaração de independência do Kosovo viu uma acentuada deterioração da relação da Rússia com o Ocidente. Também viu na Guerra da Ossétia do Sul contra a Geórgia, que se seguiu à tentativa da Geórgia de retomar a região separatista da Ossétia do Sul. As tropas russas entraram na Ossétia do Sul e forçaram as tropas georgianas a retiradam, estabelecendo seu controle sobre este território. No outono de 2008, a Rússia reconheceu unilateralmente a independência da Ossétia do Sul e da Abecásia.
Governo de Dmitri Medvedev 2008-2012

Em 10 de dezembro de 2007, Dmitri Medvedev foi designado candidato às eleições presidenciais de 2008, pelos quatro partidos da coalizão de apoio a Vladimir Putin, presidente russo à época- Rússia Unida, Rússia Justa, Força Cívica e o Partido Agrário Russo, que têm a maioria da Duma.

Diferentemente de Putin, Medvedev não tem vínculo com o FSB, sucessora da KGB, nem é filiado a partido político, e se considera um liberal-democrata. É tido como um dos líderes da ala “liberal” do Kremlin, em oposição aos siloviki (exército, polícia e serviços secretos).

Durante seu governo, designou Putin para o cargo de Primeiro Ministro.

Medvedev ficou no poder até 2012, ano em que Putin foi eleito para assumir seu cargo
O relacionamento da Rússia com o Ocidente

No primeiro período, após a Rússia tornar-se independente, a política externa russa repudiou o marxismo-leninismo como um guia de ação, enfatizando a cooperação com o Ocidente para resolver conflitos regionais e globais, e procurar ajuda econômica e humanitária do Ocidente para apoiar a reformas econômicas internas.

De qualquer modo, embora os líderes da Rússia, descreviam o Ocidente como seu aliado natural, tentaram resolver o nascimento de novas relações com os Estados na Europa Oriental, formada a partir da desintegração da Iugoslávia. A Rússia se opôs à expansão da OTAN para ex-bloco soviético, na República Checa, Polônia e Hungria em 1997 e, particularmente, a segunda expansão da OTAN para os Países Bálticos em 2004. Em 1999, a Rússia se opôs ao bombardeio da OTAN a Iugoslávia durante mais de dois meses (ver: Guerra do Kosovo), mas esteve junta mais tarde com as forças de paz da OTAN nos Balcãs em Junho de 1999.

As relações com o Ocidente também têm sido marcadas pelas relações da Rússia com a Bielorrússia. O Presidente da Bielorrússia, Aleksandr Lukashenko, um autoritário líder estilo soviético, tem mostrado grande interesse em alinhar o seu país com a Rússia, e nenhum interesse em reforçar os laços com a OTAN e realizar reformas econômicas liberais. Um acordo de união entre a Rússia e a Bielorrússia foi constituído em 2 de abril de 1996. O acordo foi intensificado, tornando-se a União da Rússia e Bielorrússia, em 3 de abril de 1997. Em 25 de dezembro de 1998 a união foi reforçada, assim como em 1999.

Sob Putin, a Rússia tem laços com a República Popular da China pelo Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amistosa assim como construir um oleoduto da transiberiano adaptado às necessidades crescentes de energia na China.

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